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02/02/2013 - 03h09

É importante que São Paulo se assuma como parte do Brasil, diz Juca Ferreira

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MATHEUS MAGENTA
DE SÃO PAULO
ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
DA COLUNA MÔNICA BERGAMO

O baiano Juca Ferreira comemora triplo aniversário: fez 64 anos anteontem, um mês à frente da Secretaria da Cultura paulistana ontem e um ano de filiação ao PT hoje. "No dia de Iemanjá", diz.

O ex-ministro da Cultura (2008-2010) chega a São Paulo com a meta de garantir uma "identidade plural e complexa" à "cidade mais negra e nordestina do Brasil".

Cita coluna no site da Folha em que Gilberto Dimenstein discute a importação de "um baiano" para a pasta da Cultura. "Acho que foi brincadeira. A cidade já ultrapassou esse nível de provincianismo contra quem é de fora."

Karime Xavier/Folhapress
O secretário Juca Ferreira em seu gabinete no centro de São Paulo
O secretário Juca Ferreira em seu gabinete no centro de São Paulo

E defende uma abertura a novos segmentos culturais e à periferia. "Parte desta São Paulo do século 21 ou é proibida ou é criminalizada ou é invisível", explica.

Juca assume a pasta com um recorde negativo. Em 2013, terá menos de 1% do orçamento municipal de R$ 42 bilhões (cerca de R$ 370 milhões). A média histórica era de 1,3%.

Depois do MinC, Juca passou os últimos dois anos trabalhando na Espanha, com a mulher e o filho de dois anos, mas diz que já sentia ser a hora de voltar ao país.

Depois de um telefonema do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, ex-colega na Esplanada, topou chefiar a pasta da cidade que "tem importância de ministério".

Seu primeiro programa será o lançamento, na próxima terça-feira, do movimento #existedialogoemsp. "Vi que, em torno da música do Criolo ["Não Existe Amor em SP"], há todo um sentimento de atualização da cidade."

Leia abaixo a íntegra da entrevista.

*

Folha - Como o sr. avalia a cena cultural de São Paulo?
Juca Ferreira - A cidade já tem a maior noite do mundo e uma cultura contemporânea que não deve a nenhuma cidade no mundo. Mas é preciso incluir e integrar a periferia e segmentos culturais importantes que ainda não têm reconhecimento do poder público.

*O que o sr. irá fazer como secretário para promover essa inclusão?
É preciso incluir toda a população da cidade, desenvolver em todo o território serviços culturais, fazer com que esses equipamentos funcionem plenamente, permitir que a gente tenha políticas públicas para a cultura. Por exemplo, nós temos 54 bibliotecas. A gente precisa de uma política de livre leitura, que em parte se realiza dentro das bibliotecas, em parte fora das bibliotecas. As bibliotecas não podem ficar esperando a pessoa chegar e pedir um livro. As bibliotecas têm que promover o hábito da leitura, promover o livro e a leitura. Então, temos que ter um plano municipal do livro e da leitura, a exemplo do plano nacional. Isso, inclusive, permitirá captar recursos, que existem recursos previstos para os municípios que têm plano municipal de livro e leitura. Precisamos ter políticas culturais, não basta ter os equipamentos. Então, para construir essas políticas culturais e para desenvolvê-las, para executá-las vai precisar de recursos. É uma demanda natural, é um processo natural e existe uma expectativa na medida em que fez parte do projeto apresentado na campanha pelo prefeito [Fernando] Haddad: o fortalecimento da cultura na cidade.

Um artigo do colunista da Folha Gilberto Dimenstein discutiu a necessidade de São Paulo importar um baiano como secretário da Cultura.
Aquele artigo teve uma importância para mim porque gerou solidariedade. A cidade já ultrapassou esse nível de provincianismo contra quem é de fora. Só que tem de haver uma atualização da autoimagem de São Paulo. Ela não é monotemática. Pela sua complexidade, inevitavelmente terá de ter uma identidade plural e complexa. Acho que posso contribuir para o sentimento de que São Paulo faz parte do Brasil.
É a maior cidade nordestina do país. Numericamente, São Paulo é a cidade mais negra e mais nordestina do Brasil. Isso é algo que não pode ficar invisível.
E acho que a Virada Cultural tem que ter forró também. Falei com o [ex-ministro da Cultura Gilberto] Gil sobre a importância de São Paulo se assumir como parte do país.

Como ministro da Cultura, o sr. criticava a concentração de recursos da Lei Rouanet em São Paulo e no Rio. Há um conflito agora em pleitear mais recursos para São Paulo?
Isso é um equívoco. Nos oito anos em que eu e Gil fomos ministros, São Paulo teve mais recursos. Pulamos de um orçamento de R$ 287 milhões para R$ 2,3 bilhões em 2010. Então, sem concentrar em São Paulo e no Rio, fomos mais capazes de atender às demandas de São Paulo do que o modelo anterior: mesquinho, restrito e ilegítimo. São Paulo tem que trabalhar por recursos não em detrimento do Brasil, mas junto.

O sr. defende uma fatia mínima do orçamento para Cultura?
Sim. Um percentual mínimo para a cultura garante que o orçamento não seja pequeno. Por coincidência, este ano tem o menor percentual em muitos anos, menos de 1%. A média histórica é 1,3%. Se já era pouco, ficou pior. O prefeito Haddad dá importância à cultura e participarei ativamente da discussão do orçamento para 2014. Acho que 2% seria um percentual bom.

Integrantes do PT criticam o modelo de gestão indireta, via organizações sociais, e a criação de uma fundação para gerir o Theatro Municipal.
Toda instituição pública que tem corpo estável -e o nosso Theatro Municipal tem vários- não pode funcionar no regime da administração direta; senão é inviável.
Sou favorável a fundações de direito público [como a proposta pelo ex-secretário Carlos Augusto Calil]. E, em certas situações, sou favorável à combinação de gestão pública com organizações sociais. Contanto que fique garantida a predominância da administração pública.

Seus antecessores pleiteavam maior participação na gestão do Masp. Qual vai ser a sua política em relação ao Masp?
Sou favorável que os equipamentos, principalmente os mais importantes, tenham um conselho que possibilita exatamente que os gestores de plantão recebam contribuições da sociedade, do setor empresarial, de diversos segmentos da sociedade, do governo, porque a gestão cultural não pode ser um ato isolado. Eu não acredito em política pública feita dentro de gabinete. Política pública de cultura exige necessariamente o diálogo, a participação de vários segmentos culturais e da sociedade na formulação, na execução e na avaliação dessas políticas.

Transições podem ser complicadas ou não. Vide o Gilberto Gil para o sr., vide o sr. para Ana de Holanda no Ministério da Cultura. A herança de seu antecessor Carlos Augusto Calil é bendita ou maldita?
Bendita. A grande diferença que encontro de quando nós chegamos no ministério é que o ministério era um deserto quando nós chegamos. As referências eram pequenas, a não ser referências históricas do Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional], o momento em que a Funarte [Fundação Nacional de Artes], que já tinha sido a grande instituição de promoção da cultura brasileira no plano federal, que foi no período da redemocratização.E quando nós chegamos, esprememos o legado e era pouco, não podia nem ser maldito. Eu nunca usei essa expressão porque, na verdade, era deficiente, eu diria. Aqui, não. Certamente, eu implementarei tudo de bom que eu encontrar, manterei tudo de bom que eu encontrar e assumo a responsabilidade de continuar, avançar, inovar, criar e suprir as ausências também.

O que será da Virada Cultural?
Será criada uma curadoria. Como novidade, teremos uma política de eventos para São Paulo, algo articulado, que não exija que tudo aconteça dentro da Virada. Teremos a Virada e outros eventos grandes, médios e pequenos distribuídos ao longo do ano e no território da cidade.

O Vale Cultura perdeu seu poder de compra. O que dá pra fazer com R$ 50 em SP?
Os R$ 50 dão para dois CDs, para um livro ou para um espetáculo... São Paulo é cara. Até hoje estou morando em hotel porque não consegui encontrar um apartamento.

 

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