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20/03/2013 - 03h27

Crítica: Novo CD do Strokes se afasta do rock

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THALES DE MENEZES
EDITOR-ASSISTENTE DA "ILUSTRADA"

Quando você começa a ouvir um disco novo do Strokes e a primeira música se assemelha muito a Pet Shop Boys, alguma coisa deve estar muito errada. Ou muito certa.

No caso do quinto álbum da banda nova-iorquina, "Comedown Machine", pode cravar a segunda alternativa. O disco, que começa a ser vendido no próximo dia 26, é esquisito, no bom sentido.

A usina de ideias musicais mostrada no incensado disco de estreia, "Is This It?" (2001), que foi perdendo força a cada trabalho lançado pela banda, está de volta.

Jack Plunkett/Associated Press
Vocalista do The Strokes, Julian Casablancas (à dir.) canta com sua banda
Vocalista do The Strokes, Julian Casablancas (à dir.) canta com sua banda

No primeiro álbum, e um pouco no segundo, "Room on Fire" (2003), essa criatividade apareceu forte, mas centrada em influências que exploravam notadamente o punk e o pré-punk de Nova York --de Television e Modern Lovers, entre outros.

Mas, uma década depois, o Strokes resolveu desprezar rótulos e diferenças geográficas e temporais. Tem de tudo um pouco nas 11 faixas, o que coloca "Comedown Machine" na condição, cada vez mais rara, de um disco que capaz de surpreender.

Entre pouca guitarra e esboços de synth pop, o repertório passeia por uma sonoridade que lembra hits radiofônicos dos anos 1970 e 1980.

PÓS-DISCOTECA

Se é algo meticulosamente planejado ou não, o fato é que "One Way Trigger" parece saída de um disco do Alphaville (aquele do "Forever Young") e "Welcome to Japan" emula o balanço do pop europeu chique pós-discoteca, só falta um globo espelhado girando no teto.

O mesmo Julian Casablancas que já foi chamado de vocalista pouco inspirado desta vez é uma caixinha de surpresas. Canta em falsete em algumas faixas, dobra voz com vocalistas de apoio ou pistas pré-gravadas em outras e paga tributo descarado ao Bowie fase Berlim em "80's Comedown Machine".

Se este for o único disco do Strokes que uma pessoa conheça, será difícil convencê-la de que se trata de uma guitar band. Brincar com sintetizadores e programações foi uma diversão no estúdio.

"Slow Animals" soa como funk pop americano do final dos anos 1970, e dos bons. Mesmo quando o rock ronca, como em "50 50", as afinações e os pedais jogam as guitarras para um embalo situado em algum lugar entre Roxy Music e Santana.

Quem quiser o bom e velho Strokes pode baixar apenas o primeiro single, "All The Time". Ali estão os riffs nervosos e repetitivos saudados como a salvação do rock no início da década passada.

É difícil para o fã que glorifica esse rock rápido gostar também do pop balançado de "Happy Ending", feita para chacoalhar os quadris, um tanto "latina". Ou de "Call It Fate Call It Karma", que fecha o novo disco quase sambinha, quase bossa nova.

Os fãs desse novo Strokes precisam esquecer a antiga banda focada em rock básico e direto e manter a cabeça aberta para todos os sons. Porque as cabeças dos integrantes do quinteto já estão escancaradas para qualquer mistura.

COMEDOWN MACHINE
ARTISTA The Strokes
GRAVADORA Sony Music
QUANTO pré-venda em lojas digitais, por cerca de R$ 25
AVALIAÇÃO bom

 

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