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Galerias financiam onda de arte gigante

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Não é nada delicado. É um monstro de aço de sete metros de altura e que pesa algumas toneladas, quase igual aos famosos "Bichos" de Lygia Clark -só que gigante.

Na feira Art Basel, encerrada na semana passada em Basileia, na Suíça, a galeria britânica Alison Jacques, que representa a artista brasileira, decidiu causar uma impressão do tamanho que a neoconcretista ocupa hoje no mercado das artes visuais.

Divulgação
Arquitetura Fantástica', versão gignate de um 'Bicho' de Lygia Clark, na última Art Basel
'Arquitetura Fantástica', versão gigante de um 'Bicho' de Lygia Clark, na última Art Basel

Executou um projeto da artista de 1963, que ampliava, para uma escala imensa, sua famosa série de esculturas de metal articulado, o "Bicho", que inventara em 1960.

"Ela queria que eles fossem monumentos", conta Alison Jacques à Folha. "Não é uma coisa que criamos do nada, tem a ver com a trajetória dela, mas é difícil transformar escultura em arquitetura."

Tão difícil -e tão caro- que Clark, que morreu em 1988, não conseguiu realizar esse projeto em vida, nem imaginava a fama que teria.

Só agora, num contexto balofo do mercado de arte, em que tamanho é, sim, documento, esculturas como essa têm dado o tom na produção visual. São peças para causar espanto, feitas na fábrica, fora da lógica do ateliê, com o cálculo preciso de engenheiros e plantas de arquiteto.

"São o artista e a galeria exibindo seus músculos", diz o britânico Richard Wilson, que planeja uma escultura de 18 metros de comprimento e 77 toneladas de ferro para o novo terminal do aeroporto de Heathrow, em Londres. "Há uma tendência de ser heroico e mostrar que peso você tem agora no mercado."

Wilson não revela quanto Heathrow vai gastar na sua obra, que simula o rastro deixado nas nuvens por um avião em alta velocidade. O "Bicho" gigante de Clark foi posto à venda por R$ 6,5 milhões.

É três vezes o valor de um cachorrinho imenso construído pelo norte-americano Paul McCarthy na última edição da feira Frieze, em Nova York.

Seu "pet" é uma cara paródia, de R$ 2,2 milhões e mais de 24 metros de altura (o equivalente a um prédio de oito andares), dos bichos de Jeff Koons, que parecem bexigas de ar plasmadas em metal polido resplandecente.

Mas há outra coincidência, além do fato de Clark e McCarthy terem feito peças de arte que lembram algum tipo de animal. Ambos foram fabricados para feiras de arte na tentativa de suas galerias de ofuscar a concorrência.

"Fico um pouco triste de ver isso acontecendo", diz, sobre a escala hiperbólica do novo "Bicho" de Clark, o artista Ernesto Neto, acostumado a criar obras do tamanho de galpões inteiros. "Esse trabalho é do tamanho de um abraço, não é monumental."

MUSEUS HIPERBÓLICOS

Mas entre um abraço e um monumento, cabe o que Neto chama de "escala grande 'indoor' acessível", ou seja, uma obra gigante que cabe, por exemplo, no átrio ou saguão de um prédio comercial.

Ou em museus anabolizados para esse fim. Se a arte cresceu tanto até virar arquitetura, o tamanho dos espaços agora se adapta à moda.

Numa antiga fábrica de locomotivas em Milão, hoje transformada no centro cultural Hangar Bicocca, está uma escultura imensa do artista alemão Anselm Kiefer.

São sete torres de concreto, cada uma com 18 metros de altura e pesando 90 toneladas, que simulam uma terra arrasada nos 15 mil metros quadrados do espaço. A obra não é nova, mas deve ganhar em breve a companhia de novas peças também imensas.

Vicente Todolí, ex-diretor da Tate, em Londres, onde fez da sala das turbinas o espaço ideal para trabalhos com a mesma sede de grandeza, assumiu agora o espaço italiano com a mesma atitude.

"Quero fazer mostras sem obstruções, numa arquitetura radiante. Esse é um espaço que desafia", disse Todolí à Folha, em Milão.

No ano que vem, Cildo Meireles terá todas as suas instalações em grande escala remontadas no espaço, separadas por uma enorme cortina das sete torres de Kiefer.

Do outro lado do Atlântico, o museu Whitney, em Nova York, mudou de casa, para o sul de Manhattan, num novo prédio desenhado por Renzo Piano em que será mesmo possível sonhar mais alto.

Enquanto isso, galerias paulistanas têm preterido espaços pequenos nos Jardins e na Vila Madalena por antigos galpões na Barra Funda. A Baró, instalada num deles, acaba de abrir uma mostra em que a artista Flávia Junqueira montou um carrossel em tamanho real -mais festivo impossível.

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