BaianaSystem testa suas novidades em quatro shows em São Paulo

Crédito: Keiny andrade/Folhapress Russo Passapusso, do BaianaSystem, Lollapalooza 2017
Russo Passapusso, do BaianaSystem, Lollapalooza 2017

MARIANA FILGUEIRAS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Grupo que colocou o país para dançar em 2017, o BaianaSystem apresentará novidades em quatro shows em São Paulo, a exemplo da recém-lançada "Arapuca", carregada de crítica política. Os novos trabalhos dão sequência ao elogiado álbum "Duas Cidades", de 2016.

Novas bases eletrônicas já estão prontas e há parcerias inéditas em vista, com os artistas Siba e Carlos Rennó.

O último single, "Capim Guiné", havia sido lançado no Rock in Rio (a banda tocou também no Loolapalooza e no Roskilde). Agora é a vez de "Arapuca", cujo clipe é uma colagem de mensagens críticas com um episódio do desenho animado... dos Três Porquinhos. A banda tem na linguagem visual uma de suas características mais fortes.

Há também a farta mistura de gêneros em suas canções.

"A estrutura é o reggae e a música afrobaiana. O reggae trazendo toda a cultura do grave, do soundsystem, da linguagem dub. E a coisa afropercussiva, com todas as suas vertentes, desde os blocos afros e afoxés, passando por Antonio Carlos & Jocafi, Gerônimo, essa música africana que tem uma releitura muito particular quando chega na Bahia, os grupos percussivos todos, Ilê Ayê, Olodum, Timbalada, Filhos de Gandhi, Tincoãs", diz Beto Barreto, fundador e guitarrista.

As composições políticas são o outro pilar do grupo.

"Os artistas sentem cada vez mais necessidade de se posicionar diante de tudo que está acontecendo. É natural que isso fique muito forte. Mas como a gente não fecha em nenhum gênero musical, também não tem uma coisa fechada num discurso político. Tem sempre um momento que a gente sai disso. E música é aquilo, se dá uma travada, você quer distensionar."

APRESENTAÇÕES

Serão quatro shows em São Paulo entre os dias 4 e 7 de janeiro (4, 5 e 6 no Sesc Pompeia e 7 no Sesc Campo Limpo). As apresentações terão a participação de BNegão.

"Vamos apresentar a música nova, instrumentais que já estamos testando para o Carnaval, músicas que já não cantávamos há muito tempo. Vai ser um quebra-cabeça de coisas novas", resume Barreto.

Ele fundou o BaianaSystem em 2009, misturando o som da sua guitarra baiana às composições de Russo Passapusso, que conheceu quando o cantor bradava seus versos à frente do MiniStereo, um soundsystem que se apresenta nas ruas de Salvador.

Aos dois se juntaram o baixista SekoBass, e a base percussiva, tanto eletrônica ou orgânica, que não é fixa –os instrumentistas Ícaro Sá e JapanSystem são os mais regulares.

Com eles, uma turma de DJs e produtores, como João Meirelles e Mahal Pitta, e Filipe Cartaxo, responsável pelo braço audiovisual do grupo, que concebe das máscaras usadas pelo público às vídeo-instalações e clipes.

O primeiro disco, "BaianaSystem", é de 2010, quando a banda estourou no carnaval de Salvador e começou a circular pelo país. Mas foi "Duas Cidades", produzido por Daniel Ganjaman, que a consagrou.

Quando viajam juntos e não estão no palco nem caçando alguma loja de vinil, os integrantes do grupo tem uma brincadeira própria. Passapusso traz uma caixinha de som e cada um mostra uma música nova que descobriu durante a semana.

"É raro ficar cada um no seu fonezinho. Também fazemos muitas listas. No momento, estamos ouvindo muito o nigeriano Mr. Eazi, Kendrick Lamar, Thundercat, a angolana Titica, o Bancan Beat Box, que também traz essa referência de base eletrônica com percussão, com influência melódica forte do árabe. Música americana que passeia ali do pop à eletrônica, carimbó. Aí pra relaxar, Elomar. Sempre", conclui Barreto.

BAIANASYSTEM

SHOWS de 4 a 6/1 no Sesc Pompeia (ingressos esgotados), às 21h30; em 7/1 no Sesc Campo Limpo (grátis, em local aberto), às 18h

O SOM QUE FAZEM O BAIANASYSTEM DANÇAR

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