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15/06/2010 - 07h42

Três novos livros exploram obra do artista gaúcho Iberê Camargo

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SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO

"Não há espaço para a alegria", escreveu o artista Iberê Camargo. "Toda grande obra tem raízes no sofrimento."

Mas a dele não era uma angústia homogênea. A obra deste pintor gaúcho, morto há 16 anos, está arquitetada sobre contrastes agudos, quente e frio, presente e passado, mergulho introspectivo contra a impetuosidade.

Veja fotos de obras de Iberê Camargo

Três livros lançados agora pela Cosac Naify exploram a fundo o universo que estrutura a obra de um dos maiores pintores do país, conhecido por telas de gestual exacerbado, estética grotesca e a obsessão com que pintou os carretéis de costura da mãe.

Se no primeiro deles, "Iberê Camargo: Origem e Destino", a crítica Vera Beatriz Siqueira introduz a obra do artista, o segundo, "Gaveta dos Guardados", vai além, trazendo os escritos do pintor.

"Tríptico para Iberê", livro de ensaios, reúne estudos sobre a técnica do artista, a série dos carretéis e uma análise dos textos que escreveu.

Esse último livro é o que parece dar corpo às afirmações dos diários de Camargo.

Divulgação
O artista plástico Iberê Camargo e os carretéis de costura que pintava em seus quadros
O artista plástico Iberê Camargo e os carretéis de costura que pintava em seus quadros

Drama e estrutura

Enquanto ele confessa que "no andarilhar de pintor, fixo a imagem que se me apresenta agora e retorno às coisas que adormeceram na memória" e que a "pintura é um jogo entre quente e frio", Daniela Vicentini diz que a obra "acontece por contrastes".

"Ele é visto como um artista expressionista, dramático", diz Vicentini à Folha. "Minha contribuição é pensar que há uma estrutura."

Também por trás da memória afetiva, está a noção histórica de que a forma dos carretéis se relaciona com o geometrismo que tomava a arte brasileira da época.

No momento em que Hélio Oiticica inventou seus "Metaesquemas" e o neoconcretismo ganhava dimensões de vanguarda nacional, Camargo descambou para os carretéis, quase como maneira de apaziguar e conter as arestas de sua memória sofrida.

"Não há um ideal de beleza", escreveu o artista. "Mas o ideal de uma verdade pungente e sofrida que é minha vida, e tua vida, é nossa vida, nesse caminhar no mundo."

IBERÊ CAMARGO: ORIGEM E DESTINO
AUTOR: Vera Beatriz Siqueira
EDITORA: Cosac Naify
QUANTO: R$ 29 (112 págs.)

GAVETA DOS GUARDADOS
AUTOR: Iberê Camargo
QUANTO: R$ 25 (144 págs.)

TRÍPTICO PARA IBERÊ
AUTORES: Daniela Vicentini, Laura Castilhos e Paulo Ribeiro
QUANTO: R$ 49 (448 págs.)

 

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