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14/07/2010 - 07h31

Aumento da bilheteria estimula Hollywood a coproduzir com a China

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FABIANO MAISONNAVE
DE PEQUIM

Nos anos 1980, quando o Japão assombrava o mundo, o Sr. Kesuke Miyagi encarnava a sabedoria oriental no longa "Karate Kid".

Duas décadas depois, a arte marcial da terra do sol nascente deu lugar ao kung fu chinês, e o professor agora se chama Sr. Han e é interpretado por Jackie Chan.

Ambientada em Pequim, a refilmagem de "Karate Kid", prevista para estrear no Brasil em 27/8, resultou da surpreendente parceria entre um estúdio norte-americano (Sony Pictures, de capital japonês) e a estatal China Film, em meio a tentativas de aproveitar o crescimento vertiginoso de bilheteria no país.

As vendas de ingressos aumentaram 80% nos primeiros seis meses deste ano, segundo o governo chinês.

Boa parte desse sucesso se deve a produções de Hollywood como "Avatar", que arrecadou cerca de US$ 200 milhões aqui, a maior bilheteria fora dos EUA. A frequência às salas de cinema tem crescido a taxas chinesas.

Em 2005, foram vendidos 50 milhões de ingressos. Para este ano, a expectativa é chegar a 330 milhões.

A maioria das novas salas está dentro dos imensos shopping centers chineses.

Com a exceção da falta de pipoca salgada, seguem o mesmo padrão de qualquer cinema de um país ocidental.

Divulgação
Os atores Jaden Smith e Jackie Chan, em cena de "Karatê Kid"
Os atores Jaden Smith e Jackie Chan, em cena do filme "Karatê Kid", em cuja versão chinesa beijo do protagonista foi cortado

Para Jun Gao, gerente da Beijing ShengShi HuaRi Film, dona de um estúdio e de 98 salas de cinema em todo o país (em 2005, eram 60), o crescimento deste ano se deve principalmente ao aumento do número de filmes em cartaz --30 nesta semana contra dez no mesmo período do ano passado.

"Em 15 anos, seremos o maior mercado de cinema do mundo", diz Jun, que aponta a urbanização como um dos motivos do crescimento. "De agora em diante, a China é a Hollywood oriental."

Mas o mercado chinês também tem suas muralhas. Uma delas é a rígida legislação, que permite apenas um terço do tempo de projeção para filmes estrangeiros, limitados a 20 estreias por ano.

Para driblar as restrições, a Disney fez uma versão chinesa de "High School Musical". Já a Fox rodou na China "Dias Quentes de Verão".

Também há "importação" de atores, como Kevin Spacey, que acaba de gravar um filme bilíngue dirigido pelo chinês Dayyan Eng.

Outra dificuldade é a censura oficial. "O governo chinês exerce um controle rígido sobre o que as pessoas veem", afirma Jun. "Violência, pornografia e nudez estão proibidos."

Na versão chinesa do novo "Karatê Kid", por exemplo, ficou de fora o beijo entre os atores mirins Jaden Smith e Wenwen Han, o casal romântico do filme.

 

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