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Criador do Bob Esponja disseca o personagem no Anima Mundi
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LÚCIA VALENTIM RODRIGUES
DE SÃO PAULO
Bob Esponja vem na mala de Stephen Hillenburg.
O criador de um dos personagens mais queridos da televisão infantil desembarca amanhã no Rio e traz na bagagem um histórico de sua mais lucrativa franquia.
Em sua palestra no Festival Anima Mundi, ele vai contar as origens do protagonista da Fenda do Biquíni.
Isso inclui mostrar os primeiros esboços, a evolução e a sobrevivência por uma década da jovem esponja que veste calças quadradas e é o melhor fritador de hambúrgueres da região.
O animador americano de 38 anos é a principal atração do Anima Forum, na quarta, e faz um Papo Animado aberto ao público no dia 24.
Em São Paulo, o evento começa no dia 28, mas sem a participação de Hillenburg.
Segundo a Nickelodeon, que exibe o desenho na TV paga brasileira, 96% das crianças entre 6 e 11 anos conhecem o personagem.
O público é formado majoritariamente por meninos de 4 a 11 anos (25%) acompanhado dos pais (45%).
As meninas não estão excluídas dessa conta: são 15% nessa faixa etária, de acordo com a medição do Ibope de março a maio deste ano.
Hillenburg não imaginava o sucesso que criava --"quem pensaria uma coisa dessas?"-- ao transportar, para a animação, o tema de um livro que usava para lecionar na sua época de professor de biologia marinha.
"Antes mesmo de ir para a escola de animação, fiz um quadrinho sobre animais pela costa. Já tinha seres estranhos, como estrelas-do-mar, esponjas e caranguejos. Não eram golfinhos. Eram pequenos animais invertebrados, plânctons e coisas assim", conta à Folha por telefone de sua casa, em Los Angeles.
"Pensei que, se fosse fazer um programa sobre animais, seria sobre esses seres estranhos", justifica. Não fez nenhum tipo de pesquisa --"só achei que seria divertido".
E, de repente, parece estar de volta numa sala de aula: "Já a esponja é uma das formas mais antigas de animais marinhos. É uma colônia. E um ser tão bizarro que imaginei que valeria um seriado".
| Divulgação | ||
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| Bob Esponja em osso (embora esponjas sejam animais invertebrados), em cena de animação que será exibida em palestra |
PURA SORTE
Como inspiração, usou filmes de Charles Chaplin e do Gordo e o Magro. "Esses caras são como crianças grandes. Todo mundo se relaciona com eles. Com o Bob Esponja é igual. As pessoas acabam se identificando com a personalidade dele."
Dez anos depois da explosão do personagem, Hillenburg diz que "despencou nessa sorte". "Não é algo que se possa calcular. Honestamente, fiz porque achava que seria engraçado. Mas achei que ia durar apenas uma ou duas temporadas."
"Nunca pensei que estaria voando para um lugar distante como o Rio para falar sobre o Bob Esponja."
Ele diz que o inocente menino continua o mesmo após dez anos, com mudanças apenas no enredo. "Ele agora tem mais bagagem para contar. E, conforme fomos desenhando os personagens, testamos o que funcionava melhor. A equipe foi pegando emprestado alguns truques uns dos outros. Mas a essência dele é a mesma."
EM FAMÍLIA
Além de um panorama da evolução dos amigos do "Calça Quadrada", ele traz a tiracolo a mulher, Karen, e o filho, Clay, de 12 anos, porque "adoramos viajar".
"É minha primeira vez na América do Sul. Ficaremos por dez dias, então vamos ao Rio, Salvador e Brasília. Estamos muito interessados na arquitetura de sua capital."
Hillenburg não espera encontrar pelo litoral do Brasil novos amigos para Bob Esponja. "Tenho como uma de minhas filosofias tentar manter as histórias só entre os personagens principais. Não aceito ideias de fora."
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