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24/07/2010 - 07h01

Penguin-Companhia aposta em edições caprichadas de títulos consagrados

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FABIO VICTOR
DE SÃO PAULO

Celebrada superlativamente como o acontecimento do mercado editorial brasileiro em 2010, a parceria entre a Companhia das Letras e a Penguin se baseia na simplicidade dos clássicos.

À venda a partir de segunda-feira, os quatro primeiros títulos do selo Penguin-Companhia não trazem novidade em si, mas primam pelo design lendário da multinacional britânica, por novas traduções e pelo que no meio livreiro se chama de "aparatos": prefácios, posfácios, intervenções editoriais.

As obras inaugurais são: "O Príncipe", de Maquiavel, com prefácio de Fernando Henrique Cardoso e nova tradução, de Maurício Santana Dias; "Pelos Olhos de Maisie", de Henry James, com fortuna crítica, comentários do autor e tradução revista por Paulo Henriques Britto; "O Brasil Holandês" e "Joaquim Nabuco Essencial", organizados pelo historiador Evaldo Cabral de Melo.

Divulgação
Equipe editorial do selo; Schwarcz está ao centro, com Suzuki ao lado (de casaco jeans)
Equipe editorial do selo; Schwarcz está ao centro, com Suzuki ao lado (de casaco jeans)

As tiragens iniciais foram de 10 mil a 18 mil exemplares, bem acima da média do mercado, de 2.000 a 3.000.

Até dezembro serão outros oito títulos, e o plano é lançar 24 por ano, um terço dos quais de autores brasileiros. Por contrato, todas as obras saem também em livro eletrônico e não podem custar mais que R$ 35.

O acordo é por sete anos. A Penguin entra com o catálogo, aparatos editoriais e o know-how e dividirá despesas com marketing e confecção de livros. A receita é dividida igualmente. As partes não revelam a cifra investida.

DETALHES

O filão no qual a multinacional britânica fez fama global --títulos de autores consagrados, geralmente em domínio público, em edições baratas mas bem cuidadas-- parece não ter mistério.

É algo que, em tese, qualquer grande editora como a Companhia faria sozinha.

Segundo o diretor do novo selo, Matinas Suzuki Jr., é uma impressão enganosa. "Parece que é simples assim, mas tem um monte de detalhes nas edições, que requerem expertise e que estamos aprendendo com eles."

Ele cita um exemplo: antes da introdução de "Pelos Olhos de Maisie", há uma advertência de que detalhes do enredo serão revelados naquele texto. "É um cuidado espetacular com o leitor".

Suzuki ressalta também o investimento promocional; "É uma das únicas editoras do mundo que faz trabalho de branding, de fixar marca."

Percebendo que havia no Brasil espaço para explorar essa fatia de mercado, a Penguin procurou o dono da Companhia, Luiz Schwarcz.

"Estamos na parceria com o objetivo de aumentar o interesse do público brasileiro por clássicos", disse o executivo-chefe da Penguin, John Makinson --que estará na Flip para debater o futuro do livro com o historiador americano Robert Darnton.

Fechado o acordo, Schwarcz e Suzuki foram a Nova York fazer um estágio na Penguin. Para ambos foi uma revelação ver, segundo Schwarcz, "a capacidade que têm de fazer um livro renascer em paperback [capa mole]. É um livro novo".

"É surpreendente o tratamento rejuvenescido que eles dão aos clássicos. Os livros precisam ter uma ideia e uma cara contemporâneas, ser palatáveis aos jovens", completa Suzuki.

Makinson e Schwarcz negam que a parceria seja a prévia para a aquisição da brasileira pela multinacional. Mas não descartam dilatar futuramente a joint venture.

"Como toda parceria, se for bem sucedida ela provavelmente será ampliada", disse o inglês.

 

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