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06/08/2010 - 21h41

Rushdie diz que seu colega de Flip Terry Eagleton foi "desonesto"

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DO ENVIADO ESPECIAL A PARATY

"Ser acusado pelo senhor Terry Eagleton [crítico literário britânico que também está na Flip] de fazer parte da agenda de Bush e Cheney me parece muito ofensivo e desonesto. O termo técnico para esse tipo de afirmação é mentira. Ele está aí? Vou dizer na cara dele que ele não tem coragem de me enfrentar com suas mentiras", disse o escritor anglo-indiano Salman Rushdie, em tom bem-humorado, no momento mais saia justa da mesa "Em Nome do Filho".

Veja a cobertura completa da Flip

Antes de começar a mesa, o escritor chamou ao palco seu filho Milan, 11, para agradecê-lo. "Sem ele o livro não existiria", afirmou o escritor, que dedicou ao adolescente o romance infantojuvenil "Luka e o Fogo da Vida", que tem lançamento mundial nesta edição da Flip.

Segundo Rushdie, seu livro "Haroun e o Mar de Histórias" (1998), do mesmo gênero, foi dedicado ao seu filho mais novo. Milan teria ficado com ciúmes, então o escritor teve de criar outro romance.

Com mediação de Silio Boccanera, o debate também girou em torno de religião. Rushdie falou sobre suas influências da mitologia grega e rejeitou ter uma visão estereotipada do islamismo, argumentando que vem de uma família muçulmana.

"O bom dos deuses é que eles são descartáveis, viram mitos", disse. E depois: "Não estou interessado nas pessoas que têm respostas. É muito mais interessante ter dúvidas".

O escritor também disse que se estivesse em uma plateia nos EUA e dissesse que não era religioso, seria um choque. Para ele, a religião está em toda a parte nos EUA.

Questionado por sua decisão de morar em Nova York, Rushdie respondeu: "Escolhi por que gosto das mulheres. Gosto de cidade grande, o interior é para as vacas".

Em outro momento, quando o mediador Boccanera insistiu em falar sobre temas mais espinhosos, como Irã e pena de morte, o escritor afirmou: "Não estou aqui como especialista em todas as questões terríveis, mas para falar de um livro infantil".

A partir daí, a conversa se desviou para Índia e literatura. Rushdie disse ser admirador da obra de Machado de Assis e confessou que roubou algumas de suas ideias. "Já que estou aqui no Brasil, posso contar", disse em tom de brincadeira.

 

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