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22/08/2010 - 08h03

Marcelo Adnet vira hit no YouTube com funk cult que cita 40 intelectuais

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ROBERTO KAZ
DE SÃO PAULO

Três meses atrás, os comediantes Marcelo Adnet e Rafael Queiroga, apresentadores do programa "15 Minutos", da MTV, leram no ar o e-mail de um telespectador. O teor, de revolta, se resumia a uma questão fundamental: por que as letras de funk brasileiros precisavam ser necessariamente grosseiras?

Adnet e Queiroga não tergiversaram. Em posse de um surdo --para marcar a batida da música-- propuseram, ali mesmo, uma solução: cantaram o primeiro funk erudito para as massas (no "15 Minutos", os dois comediantes estão acostumados a cunhar canções, de chofre, a pedido dos telespectadores).

Nasceria, ali, a ideia embrionária da canção "Gaiola das Cabeçudas" (referência ao conjunto fluminense "Gaiola das Popozudas"), um batidão gravado na semana passada que, em 4 minutos, cita o nome de 40 intelectuais, entre escritores, músicos, escultores, cientistas, pintores e dramaturgos da alta cultura.

O clip da música foi ao ar no programa "Comédia MTV" do dia 28 de julho (a atração também é encabeçada pela dupla), alcançando mais de 100 mil acessos no YouTube. Além de rimar Zaratustra com Xuxa, a música parodia clássicos do funk, como a "Dança da Motinha", a "Dança do Créu" e o recente "Chatuba de Mesquita".

Em entrevista à Folha, Marcelo Adnet, responsável pela composição da maior parte dos versos, disse que o sucesso não o surpreendeu: "A piada era certeira".

Assista ao vídeo da música "Gaiola das Cabeçudas"

Veja Vídeo

Veja a íntegra do programa "Comédia MTV" no portal da emissora.

Folha - De onde surgiu a ideia do funk erudito? O "segue sua nau" foi o verso que deu origem à música? Em quanto tempo a compôs?
Adnet - Pensei em unir duas coisas opostas: a estética "proibidona" do funk e grandes pensadores cujas obras estão caindo em esquecimento. Um proibidão intelectualizado. Para compor, fiz um brainstorm com nomes de intelectuais. Ao todo, entre composição e gravação, foram umas três horas, nos estúdios da própria MTV.

Você já havia esboçado essa música? Contou com a ajuda de alguém para compô-la?
Tinha a ideia há muito tempo, mas nunca tinha realizado. Compus a música praticamente sozinho. O Rafael Queiroga deu importantes contribuições na letra, principalmente no último verso, "Segue sua nau", um trocadilho com uma modalidade sexual.

Além de rimar com Zaratustra, que outra contribuição a apresentadora Xuxa Meneguel deu à alta cultura?
Algumas, mas, claro, o nome dela está ali para quebrar um pouco a letra e causar um incômodo, chamar a atenção. Só para colorir.

A letra da música é puramente estética ou diz algo sobre a sua geração? Resumindo: Kant está para a Zona Sul como o funk para a Zona Norte?
Diz algo sobre a gente, mas não é nada claro ou objetivo. O encontro de Kant e Platão com o batidão da favela é o grande barato. Não há uma crítica preconcebida, mas traz alguns questionamentos. Ele pode servir de resposta a quem reclama da 'falta de conteúdo' das letras de funk.

Em menos de uma semana, a música já tem quase 100 mil exibições no YouTube. Você imaginava esse sucesso?
Esperava. As pessoas percebem camadas diferentes. Alguns conhecem os pensadores, outros não conhecem nenhum, mas entendem a mistura e acham engraçado. É de fácil entendimento.

Quantos daqueles intelectuais você leu?
Pouquíssimos. Falar é fácil, ler é mais difícil.

Kelly Fuzaro/MTV
Marcelo Adnet
O comediante da MTV Marcelo Adnet
 

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