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Artista que "matou" Lula e FHC em obras na Bienal diz que sua "lista é muito maior"
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JULIANA VAZ
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O artista pernambucano Gil Vicente, 52, que está no centro de uma polêmica com a obra "Inimigos", em que ele aparece cortando a garganta do presidente Lula e atirando contra personalidades como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, diz que tem "uma lista muito maior" de personagens para a série.
"Eu não queria desenhar ninguém matando, eu queria desenhar a mim mesmo matando", afirmou. "Não pouparia ninguém desses assassinatos, de jeito nenhum. Pelo contrário, eu tenho uma lista muito maior, representando vários tipos de poder, em vários lugares do mundo."
| Marcelo Justo/Folhapress | ||
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| Obras do artista Gil Vicente, em que ele faz autorretratos polêmicos nos quais mata FHC e Lula |
A série "Inimigos" será exposta na 29ª Bienal de São Paulo, que abre ao público no próximo dia 25. A polêmica em torno dela foi desencadeada pelo pedido feito nesta semana pela OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil) para que os trabalhos sejam removidos, por fazerem "apologia à violência e ao crime".
Além de cortar a garganta de Lula e atirar contra FHC, Gil Vicente também alveja em seus desenhos o Papa Bento 16, a rainha Elizabeth e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad e o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush.
O atual governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e o ex-premiê de Israel Ariel Sharon são outras de suas vítimas.
A Fundação Bienal classificou como tentativa de censura a manifestação da OAB-SP e reafirmou a exibição da obra.
Gil Vicente diz ter achado "curioso" que a reação contrária à sua obra tenha acontecido apenas em São Paulo. "Expus em 2005 em Recife, e depois em Natal, em Campina Grande, em Porto Alegre, e em canto nenhum houve esse tipo de reação", afirmou.
Quanto à acusação de que sua obra incite à violência, ele diz: "apologia ao crime é o que o nosso governo faz o tempo todo, é o que os políticos fazem, como roubar dinheiro público".
Curador da 29ª Bienal, Agnaldo Farias assinalou que a Bienal não excluirá a obra. Os desenhos vão continuar expostos e com localização estratégica, aos olhos do visitante que sobe a rampa para o terceiro andar do pavilhão de Oscar Niemeyer.
O artista diz que sua intenção com a obra foi "descarregar o inconsciente".
Além de "Inimigos", Gil Vicente expõe na Bienal uma série de desenhos pornográficos feitas em páginas de livro.
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