Publicidade
Publicidade
Bienal começa hoje sob censura e acusação de apologia ao terrorismo
Publicidade
SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO
Quando armar uma fogueira com barras de gelo no gramado do Ibirapuera hoje de manhã, o artista Paulo Bruscky vai resumir de forma sutil um debate que incendeia esta Bienal de São Paulo, aberta agora ao público.
São labaredas congeladas que desaparecem com o tempo, marcando sem gritos a forte tensão entre estética e suas dimensões políticas.
Veja a cobertura completa da Bienal de Artes de SP
Em situação mais nervosa, a 29ª Bienal, que discute a natureza política da arte, teve uma obra censurada após um alerta da Justiça
Eleitoral e um pedido da Ordem dos Advogados do Brasil para a remoção de outra peça.
Roberto Jacoby, artista argentino que fez em pleno pavilhão uma espécie de campanha por Dilma Rousseff, candidata petista à Presidência, teve o trabalho tapado.
Segundo a Procuradoria Regional Eleitoral, é proibido fazer campanha em prédios públicos e em eventos que recebem dinheiro do governo, caso da Bienal de São Paulo.
"Não se pode fazer política na Bienal de política", disse Jacoby no dia em que cobriram seu trabalho. "Talvez a Bienal devesse falar de decoração, seria mais sincero."
Outro artista, Gil Vicente, mostra uma série de autorretratos em que aparece assassinando líderes políticos e religiosos, entre eles o presidente Lula e George Bush.
"Minha questão era muito direta, era expurgar a raiva que tinha", diz Vicente. "Não entendo de arte e também não leio nada sobre arte."
No caso, a OAB de São Paulo acusou o artista de fazer apologia ao terrorismo.
| Marcelo Justo/Folhapress | ||
![]() |
||
| Obras do artista Gil Vicente, em que ele faz autorretratos polêmicos nos quais mata FHC e Lula |
É uma discussão que ronda até agora só a casca polêmica dessas obras, mas turbinou o debate sobre o que significa arte política hoje.
Passada essa barreira do óbvio, outros artistas, que por enquanto chamaram menos a atenção, mostram que política se traduz em estética de outros modos.
"É óbvio para qualquer débil mental que um desenho numa Bienal não incita o terrorismo", diz Nuno Ramos, artista que montou um viveiro de urubus no vão central do pavilhão de Niemeyer.
"Mas há obras políticas explícitas que preservam a ambiguidade", afirma. "A questão é um pouco o quanto a obra consegue e quanto uma obra deve ser ambígua."
Seus urubus enjaulados, que voam ao som de "Bandeira Branca" e "Carcará", não apontam armas nem enfiam a faca na garganta do presidente, mas parecem fazer críticas numa frequência um tanto mais discreta.
+ notícias sobre a Bienal
- Após uma década de crise, Bienal recupera prestígio nacional e internacional
- Curadores da Bienal criam labirintos para público percorrer no evento
- Artistas consagrados propõem estética engajada na Bienal
+ notícias da Ilustrada
+ Livraria
- 'Estive hoje em um campo de concentração nazista'
- Antropólogo analisa a influência de trecos, troços e coisas na cultura
- Três editoras publicam 'O Grande Gatsby' com capas quase idênticas
- Marquesa de Santos fazia jogos sexuais com d. Pedro 1º; ouça pesquisador
- Graphic novel de 'Game of Thrones' chega ao Brasil
- Inédito no Brasil, 'Lobo Solitário' reúne toda a série japonesa de cinema
- Com 25 beijos, corpo queima calorias de uma garrafa de cerveja
- Na Grécia e na Inglaterra, maquiagem podia anular casamento
- Vencedor do Pulitzer investiga fundamentos e práticas da Cientologia
- 'O Lixo da História' traz charges de Angeli pós-11 de Setembro; veja
Publicidade
As Últimas que Você não Leu
Publicidade
+ LidasÍndice
- Morre o ator James Gandolfini, de "Família Soprano", aos 51 anos
- Sonhos de calor humano
- Ueba! Padrão Fifa ou Patrão Fifa?
- Adaptação de "Cinquenta Tons de Cinza" para o cinema ganha diretora
- Homens só querem futebol, ação e 'BBB' na TV paga
+ Comentadas
- Dolce e Gabbana são condenados à prisão na Itália por evasão fiscal
- Morre o ator James Gandolfini, de "Família Soprano", aos 51 anos
+ EnviadasÍndice











