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07/10/2010 - 16h31

José Padilha diz que realidade é pior que "Tropa de Elite 2"

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DO RIO

Em entrevista coletiva para o lançamento de "Tropa de Elite 2", no Rio de Janeiro, o diretor José Padilha disse que seu filme não exagera ao retratar as mazelas da polícia carioca. Para ele, a realidade é ainda pior do que a ficção. "Este é o feedback que eu tenho ao conversar com policiais e pelas estatísticas de crimes envolvendo a polícia no estado", disse.

"Tropa de Elite 2" é maior estreia desde a retomada

O diretor e o elenco conversaram com jornalistas após a exibição do filme para convidados na manhã desta quinta-feira. Padilha falou de política, e atacou a falta de propostas para a área da segurança pública dos candidatos desta eleição. "Nenhum deles abordou o problema de forma consistente. Isto porque nem o PT, que está no governo, nem o PSDB, que ficou oito anos no poder, se sentem confortáveis em tratar do tema", disse.

O diretor acredita que o filme vai ajudar a estimular o debate sobre o problema da segurança no país.

Padilha negou que o governador do Rio de Janeiro mostrado no filme seja inspirado no governador Sérgio Cabral. No longa, o personagem está envolvido com policiais corruptos e consegue se reeleger com o apoio da milícia. "Ele foi inspirado em vários governadores e em nenhum ao mesmo tempo", disse.

O diretor também negou que o deputado Fortunato, interpretado por André Mattos, tenha sido inspirado no deputado e apresentador Wagner Montes, embora haja uma série de coincidências entre os dois. Ambos são deputados e apresentadores de um programa popular na televisão. Tanto o personagem como o deputado participaram da CPI das Milícias na Assembleia Legislativa do Rio. Fortunato, no entanto, é líder de uma facção criminosa e acaba preso.

Wagner Montes, que estava presente na pré-estreia, negou as semelhanças. Segundo ele, o personagem deixou a televisão para tornar-se deputado, o que não é o caso dele, que continua trabalhando como apresentador. Ele disse também que alguns trejeitos do personagem são claramente inspirados no apresentador José Luiz Datena, da Bandeirantes.

Cercado por funcionárias do cinema, que lhe pediam autógrafo, Montes elogiou o filme. "O importante é trazer à tona o problema das milícias", disse.

 

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