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Oitavo álbum do Radiohead repete fórmula com resultado flácido
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THALES DE MENEZES
DE SÃO PAULO
O novo Radiohead chegou antes da hora. "The King of Limbs" foi lançado on-line um dia antes do anunciado e, como todo bebê prematuro, precisava ter se desenvolvido um pouquinho mais.
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A banda inglesa liderada por Thom Yorke continua moderna e, ao mesmo tempo, anacrônica. Sabe usar todos os recursos de divulgação e relacionamento digital disponíveis, mas ainda tenta ser um grupo que valoriza o álbum, essa coisa tão 1970.
E aí solta um trabalho que parece um grande rascunho. Nos últimos anos, virou clichê chamar a banda de "inclassificável", mas o que era elogio virou crítica.
Quando decidiram subverter o formato canção no álbum que é até hoje considerado a obra-prima da banda, "OK Computer" (1997), Yorke e seus colegas abriram uma fase de experimentações.
De Miles Davis a sons africanos, tudo valia para incrementar um universo musical bem peculiar, onde as molduras sonoras para as letras angustiadas ou melancólicas tentavam surpreender o ouvinte a cada faixa.
E assim o Radiohead adentrou este século como uma usina de ideias alimentada por Yorke e orquestrada por Jonny Greenwood, o guitarrista que cuida de aplicar conceitos harmônicos aos delírios de melodia (ou da falta dela) para gerar música.
A legião de admiradores foi aumentando, mas até o mais fiel deles terá que apelar ao amor pela banda para não criticar a bagunça que é "The King of Limbs".
É preciso gostar cegamente do quinteto para enxergar pelo menos uma proposta musical nas oito faixas.
Se fosse um LP, com seus dois lados, teria um "lado A" mais balançado (as cinco primeiras músicas) e um "lado B" meio introspectivo, depressivo (as últimas três).
| Leon Neal - 25.jun.2010/AP | ||
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| O líder do Radiohead, Thom Yorke, que lançou oitavo álbum nesta semana, no festival de Glastonbury de 2010 |
Nos álbuns anteriores, havia uma charmosa devoção, quase religiosa, à experimentação musical. O Radiohead levava a sério juntar camadas de som e ruído na busca de algo inspirador. Como um Pink Floyd para as novas gerações, não semelhantes no resultado sonoro, mas na proposta de criar o novo.
No entanto, "The King of Limbs" mostra que a fórmula não consegue mais ir além. O resultado soa chato, um rascunho flácido, sem força.
Tem fã do início da carreira do Radiohead que, teimoso, ainda torce para que a banda retome o formato da canção, que norteou os ótimos discos "Plabo Honey" (1993) e "The Bends" (1995).
Admiradores desse time precisam entender que a banda que um dia foi a favorita deles morreu com "OK Computer". No álbum recém-lançado, a única faixa que, de leve, lembra uma canção com começo, meio e fim é a última, "Separator". Mas muito de leve, diga-se.
Sem as amarras do rock convencional, o Radiohead se sente livre para fazer o que quiser, mesmo que não passe de acordes dispersos que tentam criar "climas".
Tudo bem continuar a servir de objeto de culto de seus seguidores fanáticos. Mas já está na hora do bando de Thom Yorke parar de ser chamado de banda de rock.
THE KING OF LIMBS
ARTISTA Radiohead
LANÇAMENTO Warner (on-line)
QUANTO US$ 9 (cerca de R$ 15), formato MP3, e US$ 14 (cerca de R$ 23), formato WAV, no site da banda
AVALIAÇÃO ruim
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Ouça comentários do repórter sobre o álbum:
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