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MinC confunde leis ao explicar aprovação do projeto de Bethânia
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ANA PAULA SOUSA
MARCUS PRETO
DE SÃO PAULO
Era para ser um esclarecimento simples. Mas virou uma nova confusão.
Projeto prevê R$ 600 mil só para Bethânia
Maria Bethânia poderá ter R$ 1,3 milhão para criar blog
Ao redigir uma nota para explicar a aprovação de um projeto da cantora Maria Bethânia, o MinC (Ministério da Cultura) acabou por expor uma fragilidade interna que nada tem a ver com as polêmicas que, habitualmente, cercam a renúncia fiscal para projetos da área cultural.
A polêmica começou anteontem, quando a coluna Monica Bergamo, na Folha, noticiou a aprovação da captação de R$ 1,3 milhão para a produção do blog "O Mundo Precisa de Poesia".
A cantora é a protagonista do projeto, que deve incluir 365 vídeos de 60 segundos --um por dia do ano-- com coordenação do sociólogo Hermano Vianna e direção de Andrucha Waddington (do longa "Eu Tu Eles").
O assunto entrou rapidamente para a lista dos mais comentados no Twitter.
O ministério, naturalmente, teve de vir a público para se explicar. No início da tarde de anteontem, mandou uma nota por meio de assessoria de comunicação. E foi aí que começou o outro imbróglio.
| Marcelo Camargo - 12.jan.2011/Folhapress | ||
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| A ministra Ana de Hollanda em reunião com funcionários do Ministério da Cultura, no teatro da Funarte, em Brasília |
TROCARAM AS BOLAS
Se, para o cidadão comum, a diferença entre Lei Rouanet e Lei do Audiovisual é tão pouco óbvia quanto qualquer fórmula da física, para qualquer produtor ou gestor cultural, a distinção entre os dois mecanismos de renúncia fiscal é algo imediato, simples. Rotineiro, enfim.
Por isso chamou a atenção o erro cometido anteontem.
Na nota redigida pela assessoria de comunicação do MinC, estava escrito que o projeto de Bethânia, aprovado para captação pela Lei do Audiovisual, havia sido aprovado pela CNIC (Comissão Nacional de Incentivo à Cultura). Acontece que a CNIC só analisa projetos que se utilizam da Lei Rouanet.
A Lei do Audiovisual, diferentemente, voltada ao apoio a obras cinematográficas de produção independente --a Rouanet pode ser utilizada por manifestações culturais de qualquer natureza--, é gerida pela Ancine (Agência Nacional de Cinema).
Questionada pela reportagem da Folha sobre a incongruência, a assessoria de imprensa do MinC levou quase três horas para se manifestar. Redigiram uma "errata" na noite de anteontem.
Procurado novamente pela Folha, o cineasta Andrucha Waddington deixou claro que já tinha perdido a paciência. "Parece que eu tô roubando alguém", afirmou. "É tão patética a discussão que eu não quero mais falar."
O cineasta Jorge Furtado, que criticou o barulho em torno de um projeto absolutamente legítimo, contemporiza a falha. "Eu não distingo, também. O cinema que faço não usa Roaunet, então nem sei como funciona", diz.
RESPOSTA DO MINC
Procurado ontem pela reportagem, o MinC admitiu o "equívoco" e disse ter confundido "o nome do setor de atuação da secretaria com os nomes das leis que viabilizam captação de recursos via renúncia fiscal".
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