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Arquiteto chileno leva prêmio Index com o projeto 'meia casa boa'
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MARIO CESAR CARVALHO
EM SAN FRANCISCO
É melhor fazer meia casa boa para os mais pobres do que uma casa inteira de má qualidade.
Essa ideia inusual para habitação social, colocada em prática pelo arquiteto chileno Alejandro Aravena e seu grupo Elemental, ganhou o Index, o maior e mais valioso prêmio de design do mundo (500 mil euros --aproximadamente R$1,2 milhão-- para cinco categorias).
A entrega ocorreu na quinta-feira em Copenhagen, na Dinamarca.
O princípio da "meia casa boa", como define Aravena, busca romper uma das maiores críticas aos projetos de habitação social --o caráter monótono dos prédios.
A metade da casa não construída pelo governo é finalizada pelo próprio morador, da maneira que ele bem entender. O que Aravena projeta é a parte mais difícil da casa (estrutura, escada, banheiro e cozinha).
Aravena, 44, é uma das estrelas da nova arquitetura latino-americana e tem um projeto em construção na favela de Paraisópolis, bancado pela Prefeitura de São Paulo.
Será um prédio com 120 apartamentos. Por restrições da legislação brasileira, o princípio dos 50% a serem construídos pelo morador será reduzido a 10% no máximo. A obra deve ser entregue no próximo ano.
O projeto premiado é um conjunto de 70 casas construído em Monterrey, no México.
Aravena diz que teve a ideia de construir só metade da casa porque os recursos governamentais para habitação em geral são suficientes para erguer uma casa de apenas 35 metros quadrados.
OUTRO PREMIADOS
O prêmio Index foi criado há dez anos. É bancado pelo governo da Dinamarca como um incentivo ao design que tenha como foco as mudanças sociais, e não só a beleza.
Foram inscritos 997 projetos de 78 países, dos quais cinco foram premiados.
Aravena ganhou na categoria moradia.
A capital sul-coreana, Seul, foi premiada na categoria comunidade, por seus projetos para espaços públicos.
A prefeitura de lá derrubou um elevado maior do que o Minhocão e converteu a área numa praça gigante.
O suíço Yves Behar ganhou na categoria corpo, pelos óculos fashion criados para estudantes mexicanos. "Veja Melhor para Aprender Melhor" atendeu a estudantes que resistiam a usar os óculos dados pelo governo por acharem que não tinham estilo.
O indiano Kiran Bir Sethi ganhou o Index com um kit que ensina design para crianças. O projeto já atingiu 300 mil escolas em 33 países.
Dos projetos premiados, porém, o mais inusitado é uma gola para ciclistas que rejeitam o capacete. Numa queda, ela se infla, acionada por sensores, como um air bag, em torno da cabeça.
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