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Jovens cineastas usam modelo coletivo para produzir filmes ousados
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NATÁLIA PAIVA
ENVIADA ESPECIAL A FORTALEZA E A BELO HORIZONTE
"É o momento de 'tomada'. Simplesmente conseguir fazer um filme já não é mais lá grandes coisas", diz Guto Parente, 28, sentado no chão de uma casa no centro de Fortaleza, ponto de encontro dos cineastas do Alumbramento.
Distribuir os filmes e chegar ao grande público ainda é desafio
Guto faz um jogo de palavras que cita a retomada do cinema brasileiro nos anos 90 -sob modelo de grandes verbas e equipes- e a atitude da atual produção independente, impulsionada por grupos de jovens cinéfilos.
Seja em filmes de R$ 2.000 ou de R$ 2 milhões, ele é marcado pelo controle total da verba, pela criação coletiva e por um desprendimento, total ou parcial, da estética do cinema clássico e da TV.
O resultado são filmes ousados (veja acima), que têm obtido boas críticas, prêmios e espaço em grandes festivais. A maior parte dos grupos nasceu nas universidades, cinco ou dez anos atrás. Mas só agora essa geração vê seus primeiros longas nas telas dos cinemas.
Um dos grupos mais antigos é o Teia. Em janeiro completa dez anos o aluguel de uma casa em Belo Horizonte, sede do grupo e abrigo de seus mais de 40 filmes.
"Há coletividade na gestão do espaço e muita troca, porque todo mundo está sempre presente", diz Clarissa Campolina, 32. Ela e Helvécio Marins, também do Teia, representaram o Brasil em Veneza neste ano, com "Girimunho".
O modelo coletivo acaba impulsionando a produção e abrindo horizontes criativos, diz Caetano Gotardo, 30, do paulista Filmes do Caixote.
Seu segundo curta só saiu quando o colega Marco Dutra, 31, resolveu produzir. E o caráter musical de "O Que Se Move", seu longa recém-rodado, só surgiu como solução dramatúrgica após trocas com Dutra e Juliana Rojas, diretores de "Trabalhar Cansa".
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
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| Cinema coletivo |
ECONOMIA DO FILME
Após "A Fuga da Mulher Gorila" (que custou R$ 10 mil, venceu Tiradentes em 2009 e chega agora aos cinemas), Felipe Bragança e Marina Meliande, da Duas Mariola, foram assediados por grandes produtoras para fazer "A Alegria", também em cartaz.
A ideia era transformar o filme, de US$ 800 mil (cerca de R$ 1,5 milhão, via edital da Petrobras), numa produção de R$ 3 milhões, após dois ou três anos de captação.
Recusaram. "O que importava era a gente poder rodar pelo tempo que quisesse e com o elenco que escolhesse, tendo uma parceria com a produção que não fosse de hierarquia", diz Bragança, 31.
A falta de hierarquia nos grupos se deve, em primeiro lugar, ao rodízio na equipe (o montador de um filme dirige outro, por exemplo).
Deve-se também a uma "autoria compartilhada": dois ou quatro dirigem um mesmo filme, criam-se "parcerias criativas" e há uma hipervalorização do papel do fotógrafo e do montador.
"É um exercício de se despir de vaidades", diz Guto Parente. Ele, Pedro Diógenes e Luiz e Ricardo Pretti escreveram, dirigiram, estrelaram e montaram "Os Monstros".
Após vencer Tiradentes em 2010 com "Estrada para Ythaca", ignoraram o "caminho lógico" de tentar edital. Usaram os R$ 6.000 que tinham no banco para fazer o filme.
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