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Jovem escritor fala sobre livro de estreia
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EUCLIDES SANTOS MENDES
DE SÃO PAULO
Promessa da novíssima literatura brasileira, o escritor gaúcho Antônio Xerxenesky, 26, autor do romance "Areia nos Dentes" (Rocco, 144 págs., R$ 24, reedição), comenta, em entrevista ao caderno Ilustríssima, a primeira edição comercial de seu livro de estreia.
Folha - Foi difícil escrever e publicar?
Antônio Xerxenesky - Publicar é algo que se tornou muito fácil no Brasil. Há uma proliferação de pequenas editoras e, com o advento dos computadores, qualquer grupo de amigos pode abrir uma editora independente. Escrever um romance, porém, foi muito mais complicado. Os jovens são treinados para escrever contos, que, apesar de trazerem suas próprias complexidades, não precisam de muito fôlego. Um romance exige disciplina.
Folha - Como vê o seu livro no contexto da literatura brasileira contemporânea?
Antônio Xerxenesky - O que há de mais interessante na literatura brasileira contemporânea, creio, é a pluralidade de estilos. Há espaço tanto para narradores experimentais, como André Sant'Anna e Joca Reiners Terron, quanto para outros mais conservadores. Acredito que há uma abertura e uma liberdade imensas. O meu desafio pessoal é tentar aliar um estilo mais caótico com as velhas questões dos livros realistas. Ou seja: um pós-modernismo que não esquece que livros tratam, antes de mais nada, de seres humanos.
Folha - Que referências narrativas ajudam a definir o seu texto?
Antônio Xerxenesky - "Areia nos Dentes" apresenta "uma história dentro de uma história". O enredo de superfície é um pastiche de faroeste que busca, acima de tudo, divertir. Trata-se de uma mescla absurda de western spaghetti e clichês do cinema de terror. Enquanto isso, a narrativa de fundo, que mostra os bastidores de como esse faroeste é escrito, liga-se, no decorrer do romance, cada vez mais com a superfície. A "parte faroeste" é contada por um narrador nada confiável, e uma das graças de "Areia nos Dentes" é justamente descobrir as intenções ocultas por trás do simples desejo de contar uma história. A grande influência literária foi de Thomas Pynchon. Lendo seus romances "Against the Day" e "Mason & Dixon", assimilei o prazer que é mesclar alta cultura e baixa cultura, sem contar o deleite de fazer o narrador perder-se em digressões. Devo também mencionar o romancista Cormac McCarthy, que provou que ainda é possível escrever um faroeste nos dias de hoje. No cinema, a principal dívida é com Sergio Leone, que filma cenas absurdas com seriedade e paixão.
Folha - O seu livro saiu pelo selo artesanal "Não Editora", fora das grandes livrarias. Qual é a diferença de publicar o mesmo livro por uma "sim editora"?
Antônio Xerxenesky - A primeira grande diferença é que ser entrevistado pela Folha se torna algo possível. Além de conseguir alcançar a grande mídia, as editoras maiores têm um sistema de distribuição muito superior, o que permite que o livro atinja muitos novos leitores. A desvantagem, claro, é que não posso mais participar de cada pequeno aspecto da produção do livro, o que deixa um obsessivo como eu bastante nervoso.
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