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Saindo da vida para entrar no jogo: a overdose dos games
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DE SÃO PAULO
O sujeito entra no banheiro e vai até o mictório: ele quer jogar. À sua frente, um painel indicará a pontuação. Seu desempenho vai depender da força do jato e dos mililitros acumulados durante a partida. Sem falar na mira.
Essa é a sinopse de um novo título da companhia de entretenimento eletrônico japonesa Sega -a mesma que criou o super-herói em forma de porco-espinho Sonic, ícone da cultura "gamer" dos anos 1990. O jogo "Toylet" (trocadilho, em inglês, com as palavras "brinquedo" e "toalete") acaba de ser testado nos banheiros masculinos do metrô de Tóquio -foi um sucesso, segundo a empresa.
Cruzamento de pinball com mictório, o lançamento soa improvável a quem não precisa de estímulos eletrônicos para urinar no lugar certo, sem respingar no chão. A empreitada se insere em um negócio ascendente e bilionário, que contempla todos os aspectos de nossa vida pessoal e profissional: a "gameficação". Entenda-se por isso a transformação de tarefas das mais ordinárias (limpar a casa, passear pela cidade, acompanhar as notícias) às mais complexas (exterminar a fome no mundo, encontrar substitutos energéticos para o petróleo) em jogos.
| Divulgação | ||
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| Designer de games Jane McGonigal defende que jogos podem melhorar o mundo em "Reality Is Broken" |
"O fato de tantas pessoas, de tantas as idades e no mundo inteiro estarem escolhendo gastar seu tempo em universos 'gameficados' é sinal de algo importante, um fato urgente que precisamos entender", escreve Jane McGonigal, 33, no best-seller "Reality Is Broken" [Penguin USA; R$ 61,70], recém-lançado nos EUA.
"A realidade, comparada com os games, está quebrada. Nós precisamos começar a fazer games para consertá-la", afirma o livro, um manifesto tecnoutópico de 388 páginas, cujo subtítulo é "Por que Jogos nos Tornam Melhores e como Eles Podem Mudar o Mundo".
Leia na Ilustríssima deste domingo (27) a reportagem completa de Diógenes Muniz sobre a "gameficação" da sociedade -a íntegra está disponível para assinantes.
Jogue o "newsgame" September 12th, citado na reportagem
Veja palestra com Jane McGonigal, autora de "Reality is Broken"
| Rodrigo Capote/Folhapress | ||
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| Obra do artista plástico André Farkas (também conhecido como Treco) está na capa do caderno deste domingo |
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