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27/12/2011 - 14h00

Saiba detalhes do sequestro de menina que sofreu abusos por 18 anos

da Livraria da Folha
Texto baseado em informações fornecidas pela editora da obra.

Jaycee Lee Dugard conta como foi sequestrada aos 11 anos, e mantida em cativeiro durante 18, no livro "Vida Roubada" (Best Seller, 2011).

Divulgação
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Na volume, ela revela os desvarios aos quais foi submetida pelo casal Phillip e Nancy Garrido durante a infância, a adolescência e parte da vida adulta.

Tratada por seus captores como escrava sexual, a autora foi obrigada a realizar todo tipo de desejos doentios e teve dois filhos nascidos da relação forçada.

No trecho abaixo, Lee narra detalhes do momento em que caminhava para a escola, quando um carro parou ao seu lado, um homem a atingiu com algum tipo de tranquilizante e a raptou.

Leia o trecho final de "O Sequestro", primeiro capítulo do livro.

*

Chego à parte da colina em que me ensinaram que devo atravessar para o outro lado. Carl e a mamãe me ensinaram isso quando nos mudamos para cá e ficou decidido que eu iria andar até a parada e pegar o ônibus para a escola. Carl disse que eu devia atravessar aqui para que os carros pudessem me ver e eu também pudesse ver se alguma coisa ou alguém estava chegando. Enquanto atravesso a rua no cruzamento, começo a devanear sobre o verão. Estou andando na parte do acostamento coberta de pedras. Não vi nenhum carro este manhã. Os arbustos estão à minha esquerda. Durante a caminhada, ouço um carro atrás de mim. Olho para trás esperando que o carro passe para o outro lado da rua, mas, para minha surpresa, ele estaciona ao meu lado. Eu estava tão entretida em meus pensamentos que nem registrei o comportamento incomum do motorista. Parei de andar quando o motorista baixou o vidro da janela. Ele se inclinou levemente para fora do carro e começou a me pedir informações. O braço dele saiu da janela tão rapidamente que mal pude notar que tinha algo preto nas mãos. Ouvi um estalo e me senti paralisada. Dei passos vacilantes para trás. O medo apagava tudo, menos a necessidade de fugir. Quando a porta do carro se abriu, caí no chão e comecei a recuar, arrastando os pés e as costas para a segurança dos arbustos. Fugir o mais rápido possível era meu único objetivo - chegar aos arbustos, longe do homem que está vindo me pegar. Minha mão bate em algo duro e grudento. O que é isso? Não importa - preciso me agarrar a algo. Alguém está me arrastando e agora está me levantando. Meus braços e pernas parecem pesar uma tonelada. Tento resistir e tento ir em direção aos arbustos. A sensação paralisante volta, acompanhada de zumbido estranho de corrente elétrica. Sou incapaz de resistir por algum motivo. Não sei por que meu corpo não está funcionando. Percebo que fiz xixi nas calças. Estranhamente, não me sinto envergonhada.

- Não, não, não - grito.

A voz soa áspera aos meus ouvidos. O estranho me puxa, em seguida me joga no banco de trás e depois no chão do carro. Meu cérebro está confuso. Não entendo o que está acontecendo. Quero ir para casa. Quero voltar para a minha cama. Quero brincar com a minha irmã. Quero a minha mãe. Quero voltar no tempo e recomeçar o dia. Jogam um cobertor em cima de mim e sinto muito peso nas minhas costas. É como se não pudesse respirar. Ouço vozes, mas elas estão abafadas. O carro está se movendo. Quero sair do carro. Me mexo e viro o corpo, mas algo está me forçando para baixo. Começo a sentir vergonha por não ter controle sobre a minha bexiga. Quero me levantar e ir para casa. Não consigo pensar direito. Sei que o que está acontecendo comigo não está certo, mas não sei o que fazer. Me sinto assustada e indefesa. O carro se move e me sinto enjoada. Preciso vomitar, mas tenho medo de sufocar e morrer, por isso eu resisto. Algo me diz que não ia ajudar se eu vomitasse. Sinto muito calor. Minha pele está queimando. Por favor, por favor, tire este cobertor quente de cima de mim - não consigo respirar! Tenho vontade de gritar, mas minha voz parece que está seca, não sai nada. Perco a consciência. Quando acordo, ouço vozes. O carro parou. Onde estamos? Ouço duas vozes. Uma é de homem e a outra é abafada e baixa, mas não parece voz de homem. O cobertor ainda está em cima de mim, mas o peso foi retirado. Ouço a porta do carro se fechar bem rapidamente. O cobertor, enfim, foi puxado do meu rosto e posso ver que a pessoa que estava no banco de trás agora está na frente, mas não posso ver seu rosto. Não é uma pessoa grande, então pode ser uma mulher. O homem que me puxou para o carro me oferece uma bebida. Estou com muito calor e minha boca está muito seca. Ele diz que tem um canudinho extra para mim, então não preciso me preocupar com as bactérias dele. Fico muito agradecida por aquela bebida - minha boca estava seca demais, como se eu tivesse gritado por muito tempo, mas não me lembro de ter gritado. De repente, ouço a risada dele. O homem diz algo sobre não acreditar que conseguiu fazer isso. Quero dizer a ele que quero ir para casa, mas estou tão apavorada que tenho medo de deixá-lo com raiva. O que fazer? Simplesmente não sei. Eu queria saber. Estou com muito medo. Quero dormir e fingir que isso não está acontecendo. Por que isso está acontecendo? Quem são estas pessoas e o que elas querem comigo? Desde que voltei para o mundo, me peguei colecionando pinhas. Peço a meus conhecidos para me trazerem pinhas quando viajam. Tenho pinhas de Lake Placid, Maine e Oregon. Minha terapeuta e eu finalmente resolvemos esta obsessão. A última coisa em que toquei antes de ser levada por Phillip foi uma pinha dura e grudenta. Este foi o meu último toque de liberdade antes dos 18 anos de cativeiro.

*

"Vida Roubada"
Autora: Jaycee Dugard
Editora: Best Seller
Páginas: 302
Quanto: R$ 23,90 (preço promocional*)
Onde comprar: 0800-140090 ou na Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

 
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