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09/09/2014 - 15h41

Nazismo queria 'embelezar' o mundo

da Livraria da Folha

A ideia de raça pura carregava um peso estético. Para os nazistas, a superioridade ariana poderia ser contemplada em todos os aspectos, inclusive na aparência. "O nazismo tinha como um de seus princípios fundamentais a missão de 'embelezar' o mundo", escreve Wagner Pinheiro Pereira no prefácio de "Inimigo Judeu".

Em "Inimigo Judeu", Jeffrey Herf, professor de história da Universidade de Maryland, remonta o fenômeno identitário que foi um dos pilares da ideologia nazista e examina como a paranoia antissemita deu força a Hitler e provocou o Holocausto.

Abaixo, leia um trecho do prefácio à edição brasileira. Wagner Pinheiro Pereira é professor adjunto de história da américa no Instituto de História e no programa de pós-graduação em história comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenador do Laboratório de Estudos Históricos e Midiáticos das Américas e da Europa.

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PREFÁCIO À EDIÇÃO BRASILEIRA:
NAZISMO E O INIMIGO JUDEU

Se o judaísmo financeiro internacional, dentro e fora da Europa, conseguir jogar as nações mais uma vez em uma guerra mundial, o resultado não será a bolchevização do mundo, com uma vitória dos judeus, mas sim a aniquilação da raça judaica na Europa. Adolf Hitler

Divulgação
Nazismo tinha como um de seus princípios a missão de "embelezar" o mundo
Uma das missões dos nazistas era o "embelezamento" o mundo

O Terceiro Reich e a criação da "Comunidade do Povo"

A experiência política do nazismo na Alemanha representou a face mais nefasta do fenômeno identitário ao conceber - com bases étnicas e raciais - um padrão ideal e fechado de povo alemão, que não permitia a inclusão ou a simples (co)existência daqueles indivíduos considerados diferentes e fora dos padrões raciais nazistas no seio da sociedade alemã do Terceiro Reich (1933-1945). Dessa forma, um dos fundamentos da ideologia nazista foi a nítida contraposição entre aqueles que faziam parte da Volksgemeinschaft (Comunidade do Povo) e aqueles considerados como o "Outro", os quais, por meio de uma ação violenta e agressiva do regime nazista, deveriam não apenas ser combatidos como excluídos social e fisicamente da comunidade nacional.

O nazismo tinha como um de seus princípios fundamentais a missão de "embelezar" o mundo, que, em tempos antigos, havia sido resplandecente em beleza. Na ótica nazista, a miscigenação e a degeneração o teriam transformado em ruínas, e só com o retorno aos velhos ideais a sociedade poderia florescer novamente. Para isso, o regime nazista desenvolveu um imenso aparato propagandista, ideológico e repressivo tanto para doutrinar e enquadrar os membros da Comunidade do Povo quanto para discriminar aqueles que não se encaixavam ao modelo ideal de alemão concebido pela ideologia nazista. Principais vítimas, logo após a chegada de Adolf Hitler ao poder, em 30 de janeiro de 1933, foram os inimigos políticos, encerrados em campos de concentração para serem "reeducados". Outras minorias, como os homossexuais ou os "antissociais", embora indesejáveis e qualificadas como indignas de fazer parte da comunidade nacional, foram consideradas reinseríveis na sociedade*, desde que mudassem seus hábitos. Outros, ao contrário, foram estigmatizados como racialmente inferiores, como os judeus, além dos ciganos e dos doentes mentais: a estes devia ser proibido qualquer contato com os alemães, e foram gradualmente excluídos de todos os setores da sociedade.

A operação de mistificação ideológica realizada pelo regime nazista foi de grande importância: o apelo ao privilégio de todos pertencerem à Comunidade do Povo foi um forte incentivo para a consolidação da disciplina coletiva. O sentido de que os membros da comunidade eram todos partícipes dos destinos dela, embora ilusório, representou um elemento de homogeneização dos comportamentos que pareceu convalidar a tese do regime sobre a existência de uma sociedade sem conflitos. Nesse ponto, podemos definir o projeto político nazista como totalitário pela sua proposta de formação de uma sociedade organizada em torno de um corpo único e indiviso, sem espaço para qualquer tipo de diferença ou divergência. A imagem que mais bem representa essa ideologia é a figura do organismo humano, na qual o líder é a cabeça que comanda o corpo, representado pelas massas. Nesse imaginário, os que não se integravam completamente no coletivo ideal eram considerados como obstáculos ao desenvolvimento saudável do corpo nacional, colocando em risco a sua sobrevivência. Além das delimitações jurídicas, foram projetados mecanismos de exclusão, injetados na psicologia de grandes massas que, perante as vítimas, assumiam uma violência persecutória muito mais incisiva e interiorizada, e identificada com um imperativo não político, mas ético.

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* No caso dos homossexuais, apenas as mulheres lésbicas foram consideradas passíveis de reinserção na sociedade alemã, já que o Estado nazista considerava que não havia possibilidade de "curar" os homens gays. Sobre o tema, recomenda-se o documentário Parágrafo 175 (Paragraph 175, dir. Rob Epstein e Jeffrey Friedman, Reino Unido/EUA/Alemanha, 2000), que descreve as vidas de alguns homens e mulheres que foram aprisionados pelos nazistas acusados de homossexualidade segundo o Parágrafo 175, a legislação sobre sodomia do Código Penal alemão de 1871.

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INIMIGO JUDEU
AUTOR Jeffrey Herf
EDITORA Edipro
QUANTO R$ 57,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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