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09/10/2015 - 11h18

Com conteúdo colaborativo, revista 'Capitolina' quebra tabus e estereótipos

NILSEN SILVA
da Livraria da Folha

Truques de maquiagem, dicas para conseguir um namorado, perda da virgindade, primeiro beijo. Esses são os primeiros assuntos que vêm à mente quando pensamos no conteúdo de uma revista adolescente. Com a "Capitolina" não é assim.

As diferenças já começam pelo nome: o título da publicação é uma homenagem à Capitu, principal personagem feminina de "Dom Casmurro". A escolha não foi à toa, é claro. A personagem de Machado de Assis, mesmo sendo forte e independente, teve suas características trabalhadas como indícios de mau-caratismo e dissimulação. E assim surgiu a "Capitolina": um símbolo de feminilidade para homenagear a audácia de viver sem preconceitos e imposições.

"Queremos quebrar os estereótipos relacionados às mulheres, especificamente às garotas adolescentes. Queremos ir contra as mensagens racistas, machistas, homofóbicas e transfóbicas de muito da mídia tradicional", explica Sofia Soter, uma das editoras gerais da publicação.

Ela ressalta que diversos assuntos são considerados tabus para garotas adolescentes - sexo, estilo e estudo são alguns exemplos -, e é justamente sobre isso que elas querem discutir. Escrita por mais de cem colaboradoras - redatoras, revisoras e ilustradoras, além de uma equipe responsável pelas redes sociais e pela edição de audiovisual -, a "Capitolina" tem o objetivo de trazer uma pluralidade de vozes para discussão.

Como os temas são variados, existe todo um cuidado para abordá-los da maneira mais correta possível. Sofia ressalta que muitas leitoras têm a revista como referência, então todas as colaboradoras levam a sério a apuração de informações e a abordagem de assuntos delicados.

"A área de saúde, especificamente, exige autoras com conhecimento, para não darmos informações erradas em relação a algo tão sério e de tanto risco. As autoras, no geral, não precisam ser especialistas nas áreas em que escrevem, só demonstrar real interesse, disponibilidade para aprender e preocupação com fazer pautas sempre informadas e cuidadosas", explica Sofia.

Ela ainda observa que todos os textos passam por uma revisão antes de serem publicados, e ao longo do processo as editoras responsáveis estão sempre disponíveis para conversar com as colaboradoras sobre textos específicos, sugerindo mudanças e novos enfoques.

Há apenas um ano no ar, a publicação cativou um público fiel e soma milhares de seguidores nas redes sociais: só na página do Facebook são 26 mil curtidas. Em processo de expansão, Sofia afirma que o foco ainda é a revista online e que novos projetos estão surgindo para complementar o trabalho feito na plataforma. A revista ganhou novas categorias e colaboradoras, começou a investir em vídeos e prepara um podcast.

Divulgação
Livro reúne os melhores textos publicados em um ano de revista, além de vários artigos inéditos, todos eles ilustrados
Livro reúne os melhores textos publicados em um ano de revista, além de vários artigos inéditos, todos eles ilustrados

Para quem prefere um formato mais tradicional, os textos da "Capitolina" agora também podem ser lidos em livro físico. Lançado em setembro pela editora Seguinte, selo jovem da Companhia das Letras, o título reúne uma seleção de textos que já foram publicados online e outros inéditos criados com as colaboradoras da revista e com as editoras da Seguinte. No total, são 41 autoras e 23 artistas. Há ainda atividades interativas para que cada leitora ajude a construir o livro e dê a ele seu toque pessoal.

Mas, assim como Capitu, a "Capitolina" fez questão de continuar independente. Sem imposições. Por isso que, mesmo no livro, a variedade de temas prevalece. "O livro tem textos sobre vários conteúdos mais 'sérios', como depressão, gordofobia, racismo, transfobia, e também conteúdos mais 'leves', como literatura, música e receitas", explica Sofia.

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CAPITOLINA
AUTOR Vários
EDITORA Seguinte
QUANTO R$ 31,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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