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06/03/2017 - 10h11

"Meu governo foi o que mais fez pelo social", escreve FHC em 'Diários da Presidência'

da Livraria da Folha

Divulgação
Livro traz o registro dos bastidores do governo na visão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso durante seu segundo mandato
Livro traz o registro dos bastidores do governo na visão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso

No terceiro volume de seu "Diários da Presidência", Fernando Henrique Cardoso registra os principais acontecimentos do começo do segundo mandato, iniciado em meio a sérias tensões econômicas.

Como nos volumes anteriores, o livro é resultado de gravações feitas pelo ex-presidente entre os anos 1999 e 2000. Transcritos por Danielle Ardaillon, curadora do acervo da Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso, os textos foram revistos pelo autor.

Em 840 páginas, o livro trata do ambiente político da época que passou de uma relativa calmaria a um cenário menos positivo devido à desvalorização forçada do real, ocasionada por um forte ataque especulativo.

Além dos altos e baixos econômicos provocados pelo ajuste fiscal de 1998, o livro retrata também como passou a se comportar a base aliada no Congresso, que passou a exigir cada vez mais cargos e verbas para se manter coesa de olho na sucessão presidencial e nas eleições municipais.

Lançado pela Companhia das Letras, o volume mostra a luta de Fernando Henrique pela "terceira via" do desenvolvimento com justiça social. O livro está em pré-venda na Livraria da Folha com previsão de chegada em 27 de março.

O quarto e último volume da série "Diários da Presidência" sobre os anos 2001-2002, tem previsão de publicação no primeiro semestre de 2018.

Leia abaixo alguns trechos.

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TERÇA-FEIRA, 23 DE FEVEREIRO DE 1999

Isso é xingamento. Na prática quer dizer que eles creem que nós temos desprezo, ojeriza ou distância do social. Mesmo que se mostre por a + b que esse governo, o meu governo, foi quem mais fez pelo social, não adianta, porque também foi o governo que mais fez pela integração do Brasil ao sistema mundial. E isso não é bem visto aqui. Acho que a situação se resume a isso. Nós temos que saber que é assim, que no horizonte histórico não há alternativa [ao capitalismo].

SEGUNDA-FEIRA, 22 DE NOVEMBRO DE 1999

Estamos esgotando a fase das reformas e falta o principal, dar governabilidade. O tema da governabilidade é crucial, porque dei governabilidade, mas a grande questão, isto eu preciso saber, é ver se eu fui apenas um interregno ou se fui o começo de uma nova fase. Se fui um interregno, é um desastre, porque mais adiante quem me suceder vai ter problemas muito mais sérios do que os meus. Com o sistema partidário que existe, com a falta de representação proporcional no Congresso, com essas confusões todas, é uma crise sobre a outra.

DOMINGO, 26 DE NOVEMBRO DE 2000

Por mais que eu me esgoele, só vão dizer que eu sou mais neoliberal. Mas é melhor ser mais neoliberal do que neolítico. Eu não quero ser neoliberal, mas ser neolítico é pior, e aqui nosso problema é que estamos sob a ameaça de um ataque de "neoliticismo" por parte dos chamados aliados, e mais ainda dos chamados adversários - aí, então, é "neoliticismo" puro.

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DIÁRIOS DA PRESIDÊNCIA (VOL. 3)
AUTOR Fernando Henrique Cardoso
EDITORA Companhia das Letras
QUANTO R$ 79,90 *

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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