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20/04/2017 - 12h30

Livro ensina como identificar psicopatas e sinais de alerta; leia trecho

da Livraria da Folha

Divulgação
Sem empatia, psicopatas tentam obter aquilo que querem com doses cavalares de charme e manipulação
Sem empatia, psicopatas tentam obter aquilo que querem com doses cavalares de charme e manipulação

Nem todos os psicopatas são assassinos compulsivos ou criminosos. Alguns, aparentemente, são pessoas comuns: seu amigo, seu chefe, seu vizinho, o motorista simpático do ônibus. Na verdade, 1% a 3% da população em geral apresenta fortes tendências psicopatas.

Em "Como Identificar um Psicopata", psicóloga forense Kerry Daynes explica como funciona a mente desses indivíduos, revelando traços de comportamento e dando dicas de como identificar os principais sinais de alerta.

A autora utiliza casos reais que servem para exemplificar os graus de psicopatia, como colegas de trabalho altamente agressivos. Ela ainda dá sugestões de como lidar com eles ou, melhor ainda, de como evitá-los a todo custo.

Kerry Daynes trabalhou com alguns dos criminosos mais complexos da Inglaterra. Para escrever o livro, contou com a parceria da jornalista e escritora Jessica Fellowes.

Abaixo, leia um trecho.

*

O CURIOSO INCIDENTE DO GATO NA LATA DE LIXO

Em agosto de 2010, o canal CCTV divulgou imagens da britânica Mary Bale jogando sorrateiramente Lola, a gata do vizinho, em uma lixeira. A comoção que essas imagens causaram - o clipe foi visto por milhões de pessoas no YouTube - gerou manchetes como "Será que Mary Bale é a mulher mais perversa da Inglaterra?"

Apesar de toda a indignação pública, a polícia demorou um pouco para decidir se esse era ou não um ato criminoso (era - ela acabou sendo processada pela Sociedade Protetora dos Animais da Grã-Bretanha (RSPCA) e teve de pagar 250 libras de multa mais custas judiciais depois de admitir que havia cometido uma crueldade contra o animal). Ilegal ou não, esse foi um comportamento psicopata? Com certeza, foi um ato impulsivo - Mary Bale disse que "achou que seria divertido colocar o pobre animal na lata de lixo - e que demonstrava total falta de empatia pela gata e por seus donos". Lola só foi achada por acaso na manhã seguinte, cerca de quinze horas depois. A resposta inicial de Mary Bale ("Era só uma gata") mostrava uma atitude do tipo "não sei por que tanto estardalhaço". Só mais tarde, depois da indignação popular, é que ela pediu desculpas e disse que tinha sido um "comportamento totalmente contrário à sua natureza".

Obviamente, um indivíduo não é necessariamente um psicopata porque praticou um único ato suspeito. A menos que Mary Bale tenha uma longa história de crueldades que não foram flagradas por nenhuma câmera, a verdade é que ela é uma pessoa absolutamente comum. Provavelmente, o que torna sua história mais interessante é a indignação popular. Durante várias semanas, Mary recebeu ameaças de morte; as pessoas ligavam pedindo que ela fosse despedida do emprego e manifestavam sua ira e revolta na Internet. Todo o curioso incidente ilustra que, quando indivíduos violam as regras de conduta moral, escritas ou
tácitas, nós não lidamos bem com isso.

MULHERES TAMBÉM

A American Psychiatric Association [Associação Americana de Psiquiatria] calcula que aproximadamente 3% dos homens e 1% das mulheres na população em geral sejam psicopatas. Em geral, as mulheres psicopatas obtêm uma pontuação mais elevada nos itens sobre personalidade do que nos itens sobre estilo de vida da escala PCL-R. Portanto, é bem possível que sejam psicopatas "bem-sucedidas" que conseguem passar despercebidas. Embora o volume de pesquisas sobre psicopatas esteja aumentando rapidamente, até agora, a maior parte dos estudos foi realizada com homens. Por esse motivo, neste livro nós nos referimos mais a "ele" do que a "ela".

PSICOPATIA TEM CURA?

Definitivamente, não, psicopatia não tem "cura", e os programas genéricos para tratamento de criminosos não surtem efeito nos psicopatas. Na verdade, os psicólogos aprenderam que as terapias tradicionais podem ter o efeito indesejado de ensinar os psicopatas a manipular as outras pessoas (uma vez que eles aprendem a dizer o que os outros querem ouvir). Foram publicadas diretrizes específicas para o tratamento desse grupo que visam persuadir os psicopatas das vantagens que eles obterão se mudarem seu comportamento e desenvolverem habilidades para serem mais aceitos socialmente, em vez de tentar mudar a estrutura subjacente da sua personalidade. Demorará alguns anos para que os pesquisadores descubram se essa estratégia é realmente eficaz.

O CÉREBRO PSICOPATA

Algumas pessoas acreditam que a origem da psicopatia seja um distúrbio neurológico específico. Embora os estudos não indiquem que os psicopatas tenham alguma lesão cerebral, seu cérebro realmente parece ser diferente do das outras pessoas. Por exemplo, técnicas de neuroimagem revelaram que, quando os psicopatas são solicitados a realizar tarefas que requerem o processamento de palavras carregadas de emoção, as partes do seu cérebro que são ativadas não são as mesmas dos grupos de controle normais. "Circuitos defeituosos" no sistema paralímbico (um grupo de regiões cerebrais interconectadas envolvidas no autocontrole e no processamento emocional) podem ser particularmente significativos. Evidências de anomalias cerebrais nos psicopatas levaram alguns cientistas e advogados a alegarem que eles não são "maus", mas, sim, "menos favorecidos" ou até mesmo "deficientes" (e, portanto, é preciso dar um desconto maior para seus atos ilícitos e suas maldades). No extremo oposto do espectro, outros lançaram mão da teoria de que a psicopatia tem uma origem biológica, para apoiar uma proposta ainda mais controversa de identificar e prender indivíduos mesmo que não tenham cometido um crime.

DIFERENÇA ENTRE SOCIOPATA E PSICOPATA

De vez em quando você ouvirá as pessoas falarem de "sociopatas", além de psicopatas, mas na verdade não existe diferença entre os dois termos: ambos são usados como sinônimos. Grosso modo, o termo sociopata é mais um americanismo, de modo que um psicopata pode virar sociopata ao cruzar o Atlântico.

O termo sociopata surgiu por duas razões. Em primeiro lugar, porque alguns psicólogos achavam que a palavra "psicopata" era muito parecida com "psicótico". A maioria das pessoas pensa automaticamente em Norman Bates, o sinistro proprietário do motel no filme Psicose de Alfred Hitchcock. O filme tem um apelo duradouro (quem já não puxou nervosamente uma cortina de banheiro?), e, de alguma maneira, a manipulação do diretor fez com que um homem de peruca grisalha e vestido de mulher ficasse assustador. Mas o pobre e incompreendido Norman era doente mental - o título do filme (baseado no livro homônimo) na verdade se refere ao fato de ele ser psicótico, e não psicopata. Os psicóticos agem sob a influência de delírios e alucinações. Norman provavelmente sofria de Transtorno Dissociativo de Identidade e estava claramente atormentado ("Oh, mãe... Meu Deus, nããão, mãe!"). Os psicopatas não têm percepções distorcidas da realidade e raramente têm conflitos interiores em relação à forma como tratam os outros, muito menos crise de consciência.

Em segundo lugar, alguns psicólogos sociais estão convencidos de que os psicopatas são criados pelo ambiente familiar e por uma sociedade cada vez mais psicopata. Eles acham que a palavra sociopata enfatiza tanto suas crenças sobre as origens do problema como o fato de as características associadas serem prejudiciais a grupos inteiros.

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COMO IDENTIFICAR UM PSICOPATA
AUTOR Jessica Fellowes e Kerry Daynes
TRADUTOR Mirtes Frange de Oliveira Pinheiro
EDITORA Cultrix
QUANTO R$ 34,90 (preço promocional*)
E-BOOK R$ 28,00 *

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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