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10/03/2011 - 20h05

Madrugada tem show de sexo em clubes gays; veja "Guia GLS SP"

SÉRGIO RIPARDO
editor-assistente da Livraria da Folha

Daia Oliver
Gogo boy encarna fetiche de marinheiro, tirando a roupa, em SP
Gogo boy encarna fetiche de marinheiro, tirando a roupa, em SP

A apresentação de gogo boys e drag queens é um dos clássicos da noite gay de qualquer grande cidade. Em São Paulo, clubes também promovem shows de sexo explícito.

É madrugada da quinta para a sexta na boate Danger, na r. Rêgo Freitas, 470, perto da igreja da Consolação. Na porta, Salete Campari, no seu modelito Marilyn Monroe, organiza a fila.

Daia Oliver/
Noite gay de São Paulo reserva performances de drag queen com dublagem de hits de divas
Noite gay de São Paulo reserva performances de drag queen com dublagem de hits de divas

Por volta das 3h da manhã, três pares descem as escadas até o palco: duas mulheres, dois homens e um casal hétero. Eles estão nus, os homens estão com o pênis ereto e usam botas pretas. Distribuídos pelos três cantos do palco, começam a fazer sexo oral, anal e vaginal, com camisinha. O público se agita, e ninguém disfarça o sinal de ereção na braguilha.

A performance é ensaiada. Posições acrobáticas são bem-vindas. A cena de penetração vaginal, em que a modelo fica de cabeça para baixo, atiça até o mais convicto dos homossexuais. O show acaba. É a senha para metade da plateia correr para o banheiro ou para o quarto escuro.

Daia Oliver
Palco da boate Danger exibe apresentação de gogo boys e show de sexo explítico gay e hétero
Palco da boate Danger exibe apresentação de gogo boys e show de sexo explítico gay e hétero na madrugada

O som de bate-estaca anuncia a reta final da balada. Até 6h da manhã, é a última chance de ficar com alguém, embalado pela fantasia do sexo explícito teatral. No dark room, homens se pegam encostados na parede. Há um forte cheiro de suor. Trios e até grupos de quatro e cinco exercitam sua libido. Alguém abre o celular para mostrar a própria foto na tela. Parece só sexo rápido e casual, mas pode ser também uma armadilha. Muita gente perde documentos, carteiras e celulares em dark room. Há até uma placa alertando para o risco de furtos.

Daia Oliver
Frequentador tira a camisa no bar do clube gay SoGo, nos Jardins
Frequentador tira a camisa no bar do clube gay SoGo, nos Jardins

Na noite de sábado para domingo, a próxima parada é a Blue Space, na r. Brigadeiro Galvão, 723, Barra Funda, próxima ao Metrô Marechal Deodoro. São duas pistas --a menor, no térreo, tem uma portinha para um dark room, menor do que o da Danger. Aqui o público é mais diversificado. Há também descamisados, fortões, magrinhos e até donos de barrigas protuberantes.

Daia Oliver/
Victor, dono dos clubes Blue Space e Nostro Mundo, mexe no peito da transex Greta Star
Victor, dono dos clubes Blue Space e Nostro Mundo, mexe no peito da transex Greta Star

No palco da pista maior, gogo boys sacolejam músculos com seus sorrisos automáticos e gestos de sedução, como escorregar as mãos pela sunga, ameaçar um nu frontal ou mostrar a bunda. Drags também arrasam sacudindo a cabeça ao ritmo da música ou em esquetes de humor, em que satirizam bordões de novela ou dramas do gueto.

O bate-estaca domina, com telões para todos os lados, e muita paquera nas bordas da pista: encosta-se uma perna aqui, o traseiro ali, quando menos se espera, corpos agarrados, beijos longos e apaixonados, mãos acariciando todo o corpo.

É mais de 2h da madrugada de domingo. O point é novo. Chama-se Planeta Mussa, fica na r. Bento Freitas, 66. Paga-se R$ 5 para entrar. Há um pequeno palco, onde sósias de Clara Nunes e Maria Bethânia se apresentam. Nas mesas, predomina o público maduro, habitués do underground.

Daia Oliver
Palco da Blue Space fica na pista principal do clube, onde público vê dançarinos e esquetes de drags
Palco da Blue Space fica na pista principal do clube, onde público vê dançarinos e esquetes de drags

Chega a hora do stripper. Entre no palco um rapaz muito jovem (não deve ter 20 anos), baixinho, com uma barriga inacreditável de definida, sem o menor sinal de bomba, malhação natural. Todos suspiram. Ele é carismático, um sorriso diferente dos outros. Entende-se: é sua estreia como gogo boy. O sucesso é imediato. Logo as "tias", como se tratam alguns homossexuais idosos, já querem saber da drag o contato do rapaz. É preciso ter cuidado, pois é raro encontrar um gogo boy gay assumido. Alguns andam até com namorada a tiracolo.

São 4h da manhã. No largo do Arouche, homens em busca de sexo se deslocam para o bar Fama (r. Frederico Branches, 29). Após pagar R$ 5, com direito à consumação, entra-se num universo paralelo. Há sinuca, fliperama, jukebox, mesas e cadeiras, nas paredes quadros de Marilyn Monroe, Audrey Hepburn e Bette Davis, clichês que decoram também paredes de cines pornôs, como o Zen (R$ 10, av. São João, 1.119).

O Fama é um point tradicional de michês. Quando não encontram clientes nas ruas, eles correm para lá. Na madrugada, garçons sobem ao palco e tiram a roupa. Depois descem e vão se deixar tocar pelos clientes nas mesas. Alguns fregueses são mais assados e tentam tirar uma casquinha, como tocando o pênis do rapaz ou mordendo sua teta. Mas o lugar mais quente do Fama é seu banheiro, onde os garotos de programa transam com seus clientes, seja no reservado ou encostado na parede de um depósito.

Tudo é kitsch: a cortina de veludo marrom, as lanternas vermelhas misturando o toque oriental com quadros de carros na área da sinuca. É hora do show: o responsável pelo lugar se veste de Fafá de Belém e dubla "Filho da Bahia", o primeiro hit da cantora, de 1975. Eco a letra "Saia dessa roda/Venha descansar/Venha pro meu colo/Venha namorar/Ah, moreno", e os frequentadores mais idosos param de olhar para os rapazes de bermuda e boné para cantarolar com êxtase. A noite acaba, e uma placa "lotado" já foi colada na porta de entrada do motel mais próximo, na rua Jaguaribe.

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"Guia GLS São Paulo"
Autor: Sérgio Ripardo
Editora: Publifolha
Páginas: 136
Quanto: R$ 34,90
Onde comprar: 0800-140090 ou na Livraria da Folha

 
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