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03/01/2011 - 20h02

Poderosos sultões e escravas sedutoras atiçam imaginação em fábulas árabes

ARIADNE ARAÚJO
colaboração para a Livraria da Folha

Divulgação
Contos tradicionais ganharam ilustrações neste livro
Contos tradicionais ganharam ilustrações neste livro

Aventuras, tesouros sem fim, paisagens distantes, poderosos sultões, escravas sedutoras e, claro, sempre um ardiloso grão-vizir (primeiro-ministro). Todos os ingredientes das velhas histórias infantis. Melhor seria dizer fábulas árabes. Em "Contos de Aventuras e Magia das Mil e uma Noites" (Princípio), o primeiro volume de uma série de cinco livros, temos cinco das boas. Entre elas, abrindo a sequência, Ali Babá e os 40 ladrões.

Agora selecionados e reescritos por Leontina Barca, estes contos das mil e uma noites são os mesmos que você conhece, mas chegam com cara nova para os mais jovens. No prefácio, Barca explica que eles se renovam no olhar de quem lê, traduz, comenta. Relendo a trama de Ali, por exemplo, alguém vai sempre se surpreender com coisas que não lembrava mais e que parecem de primeira mão.

O mistério do que vem a ser a famosa "password" que abriu para o jovem árabe a montanha cheia de riquezas inigualáveis, quem lembra? Pois Sésamo, para quem ainda não releu a história, era um grão, uma semente comestível, o nosso gergelim de hoje em dia. No passado, usado apenas nas iguarias finas, chamado o Sésamo da Pérsia.

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Nesta história, é a mão de uma mulher que salva Ali da desgraça. A escrava Morgana tinha lá seus mil e um dotes. Entre seus feitos, em uma única noite, o de dançar a dança do ventre, a do lenço, as danças judias, as persas. Quando a plateia ficou babando, e não era para menos, ela deu um salto pirueta e matou a punhaladas o chefe dos quarenta ladrões. Assim sendo, Ali estava bem assessorado.

Mulheres assim, cheias de encantos e artifícios são personagens-chave nestas histórias. A série de contos surge, inclusive, sob a inspiração de uma delas, Shahrazade. Para salvar a cidade da ira do sultão e a própria pele, a moça desfia um rosário sem fim de histórias. É esta curiosidade tão humana, como a do Sultão, que o livro quer despertar. Afinal, como diz Leontina Barca, não existe uma única história para a vida, nem para o homem nem para a mulher.