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19/11/2010 - 14h20

Guilherme Wisnik recebe prêmio por livro "Estado Crítico"

da Livraria da Folha

Divulgação
Livro reúne mais de 50 artigos de Guilherme Wisnik publicados na Ilustrada
Livro reúne 54 artigos de Guilherme Wisnik publicados na Ilustrada

Na próxima terça-feira (23), o arquiteto e ensaísta Guilherme Wisnik receberá o prêmio de Obra Escrita e Publicada na 24ª edição do Prêmio Design Museu da Casa Brasileira por seu livro"Estado Crítico". O autor será homenageado em cerimônia no Museu da Casa Brasileira, às 18h45.

O livro traz uma seleção de 54 artigos do autor, que têm como ponto de partida a arquitetura e o urbanismo. Os fios condutores dos textos são a cidade e a experiência urbana em seu sentido mais amplo: habitação coletiva --marcada por formas arquitetônicas e urbanísticas-- e conjunto de modos de vida e de produção cultural de uma população.

Publicados em sua maioria no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, entre 2006 e 2007, os textos tratam de assuntos pertinentes a esse período, como os 100 anos de Oscar Niemeyer, o prêmio Pritzker de Paulo Mendes da Rocha e os 50 anos do Plano Piloto de Brasília.

Em um plano mundial, Wisnik analisa a emergência da sustentabilidade, a ascensão das cidades árabes capitalizadas pelo petróleo, a urbanização acelerada da China, o aumento da mobilidade no mundo e a crescente favelização das cidades.

Leia trecho da obra:

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No início dos anos 50, o sociólogo francês Roger Bastide, que viveu 16 anos no Brasil, publicou no jornal uma série de artigos sobre a cidade de São Paulo. Tratava-se, então, de prática comum entre pensadores das ciências humanas debater em público questões arquitetônicas e urbanísticas, como foi o caso de Mário e Oswald de Andrade, entre tantos outros.

Conhecendo de perto o modelo da cidade europeia, com sua estratificação social estampada em altura na organização dos edifícios - o primeiro e o segundo andares reservados para a burguesia rica, os outros para a classe média, e os sótãos para os empregados domésticos -, Bastide distingue com clareza traços particulares do processo de verticalização de São Paulo. Verticalização que o sociólogo reconhece ser o destino da cidade, em função tanto do crescimento demográfico quanto da elevação do preço dos terrenos e do problema crônico de circulação. No entanto, para ele, esse vetor de crescimento vertical está em contradição direta com a "mentalidade horizontal" da formação colonial brasileira, forjada na experiência distendida da vida nas sedes de fazenda, e na promiscuidade familiar do sistema "casa-grande e senzala", analisado por Gilberto Freyre.

Em Sobrados e Mucambos (1936), o próprio Freyre interpretou a sobrevivência desse padrão de sociabilidade rural no espaço das cidades brasileiras em processo de verticalização. Bastide, contudo, mesmo seguindo essa diretriz básica, enxerga no "arranha-céu" paulistano a condensação das contradições apontadas nas dualidades. Pois o arranha-céu, para ele, "ao construir-se sobre as ruínas da antiga cidade, não desmancha essa estrutura comunitária, separa-a em altura apenas, e a reduz à miniatura".

Quer dizer: os edifícios são empilhamentos de casarões-senzalas coloniais miniaturizados, reproduzindo verticalmente tanto a estrutura familiar patriarcal, com sua miscigenação paternalista, quanto a organização fundiária da cidade feita de sobrados, com seus tamanhos exíguos de lote, recuos laterais obrigatórios etc. Diferentemente do caso europeu, em que os empregados constituíram-se como grupo separado, "independente, cioso das suas prerrogativas", e "comprometido na luta de classes com os patrões", aqui eles são considerados membros da família. Portanto, de acordo com Bastide, "o arranha-céu respeita as leis da estrutura social do Brasil e as inscreve nas suas linhas verticais".

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"Estado Crítico: à Deriva nas Cidades"
Autor: Guilherme Wisnik
Editora: Publifolha
Páginas: 280
Quanto: R$ 39,90
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 e no site da Livraria da Folha.