da Livraria da Folha
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| Livro reúne 54 artigos de Guilherme Wisnik publicados na Ilustrada |
Na próxima terça-feira (23), o arquiteto e ensaísta Guilherme Wisnik receberá o prêmio de Obra Escrita e Publicada na 24ª edição do Prêmio Design Museu da Casa Brasileira por seu livro"Estado Crítico". O autor será homenageado em cerimônia no Museu da Casa Brasileira, às 18h45.
O livro traz uma seleção de 54 artigos do autor, que têm como ponto de partida a arquitetura e o urbanismo. Os fios condutores dos textos são a cidade e a experiência urbana em seu sentido mais amplo: habitação coletiva --marcada por formas arquitetônicas e urbanísticas-- e conjunto de modos de vida e de produção cultural de uma população.
Publicados em sua maioria no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, entre 2006 e 2007, os textos tratam de assuntos pertinentes a esse período, como os 100 anos de Oscar Niemeyer, o prêmio Pritzker de Paulo Mendes da Rocha e os 50 anos do Plano Piloto de Brasília.
Em um plano mundial, Wisnik analisa a emergência da sustentabilidade, a ascensão das cidades árabes capitalizadas pelo petróleo, a urbanização acelerada da China, o aumento da mobilidade no mundo e a crescente favelização das cidades.
Leia trecho da obra:
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No início dos anos 50, o sociólogo francês Roger Bastide, que viveu 16 anos no Brasil, publicou no jornal uma série de artigos sobre a cidade de São Paulo. Tratava-se, então, de prática comum entre pensadores das ciências humanas debater em público questões arquitetônicas e urbanísticas, como foi o caso de Mário e Oswald de Andrade, entre tantos outros.
Conhecendo de perto o modelo da cidade europeia, com sua estratificação social estampada em altura na organização dos edifícios - o primeiro e o segundo andares reservados para a burguesia rica, os outros para a classe média, e os sótãos para os empregados domésticos -, Bastide distingue com clareza traços particulares do processo de verticalização de São Paulo. Verticalização que o sociólogo reconhece ser o destino da cidade, em função tanto do crescimento demográfico quanto da elevação do preço dos terrenos e do problema crônico de circulação. No entanto, para ele, esse vetor de crescimento vertical está em contradição direta com a "mentalidade horizontal" da formação colonial brasileira, forjada na experiência distendida da vida nas sedes de fazenda, e na promiscuidade familiar do sistema "casa-grande e senzala", analisado por Gilberto Freyre.
Em Sobrados e Mucambos (1936), o próprio Freyre interpretou a sobrevivência desse padrão de sociabilidade rural no espaço das cidades brasileiras em processo de verticalização. Bastide, contudo, mesmo seguindo essa diretriz básica, enxerga no "arranha-céu" paulistano a condensação das contradições apontadas nas dualidades. Pois o arranha-céu, para ele, "ao construir-se sobre as ruínas da antiga cidade, não desmancha essa estrutura comunitária, separa-a em altura apenas, e a reduz à miniatura".
Quer dizer: os edifícios são empilhamentos de casarões-senzalas coloniais miniaturizados, reproduzindo verticalmente tanto a estrutura familiar patriarcal, com sua miscigenação paternalista, quanto a organização fundiária da cidade feita de sobrados, com seus tamanhos exíguos de lote, recuos laterais obrigatórios etc. Diferentemente do caso europeu, em que os empregados constituíram-se como grupo separado, "independente, cioso das suas prerrogativas", e "comprometido na luta de classes com os patrões", aqui eles são considerados membros da família. Portanto, de acordo com Bastide, "o arranha-céu respeita as leis da estrutura social do Brasil e as inscreve nas suas linhas verticais".
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"Estado Crítico: à Deriva nas Cidades"
Autor: Guilherme Wisnik
Editora: Publifolha
Páginas: 280
Quanto: R$ 39,90
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 e no site da Livraria da Folha.