Folha.com

Notícias

Assine a Folha

Livraria da Folha

11/12/2010 - 09h19

Cientista explica por que acreditamos em fenômenos sobrenaturais

colaboração para a Livraria da Folha

Reprodução
Cientista questiona a intuição por trás da irracionalidade e da razão
Cientista questiona a intuição por trás da irracionalidade e da razão
Siga a Livraria da Folha no Twitter
Siga a Livraria da Folha no Twitter

Você viveria em uma casa onde um assassinato foi cometido? Vestiria um pulôver que pertenceu a um serial killer? Cruza os dedos quando torce para que algo dê certo? Acha que gato preto dá azar e nunca passa debaixo de uma escada? Acredita em fantasmas ou já teve alguma sensação de déjà-vu? Se a resposta é sim, não se preocupe, não há nada de errado com você. Segundo o cientista Bruce Hood, ter essas crenças é mesmo bem natural nos humanos e começa já na infância.

Mas, por que acreditamos em coisas assim, quando vivemos em uma época moderna e científica, e temos ao nosso alcance informações e novas tecnologias? No seu livro "Supersentido: porque acreditamos no inacreditável" (Novo Conceito), o cientista cognitivo revela que há uma explicação científica por trás dessas nossas crenças no sobrenatural. Segundo Hood, na origem dessas crenças está o "supersentido", com o qual todos nós nascemos e que é essencial para a nossa compreensão de mundo.

Quando somos crianças, o supersentido é parte do nosso modo de entender o mundo. Ele nos faz temer o escuro e acreditar no bicho-papão. De acordo com Bruce Hood, a criança naturalmente raciocina sobre os "aspectos invisíveis" do mundo dela. Ao fazer isso, elas desenvolvem crenças que serão a "base das noções sobrenaturais que terão mais tarde, quando forem adultos". E todas essas conexões da infância estarão sempre lá, no fundo de nossa mente, "nos empurrando em direção ao sobrenatural".

Certo, a cultura e a igreja dão um empurrãozinho, mas para o pesquisador elas não fazem o trabalho sozinhas. Ele explica que nossa mente evoluiu para organizar e enxergar estruturas. Assim, buscamos padrões em tudo - lembra-se de quando você olhava nuvens se transformarem em rostos e animais? E de outra vez em que você achou que uma grande coincidência era mais que coincidência? Para Hood, é mesmo difícil para a mente humana pensar em eventos aleatórios, nós sempre buscamos por ordem e causas.

Nas palestras, o escritor faz "pegadinhas" no público. A ideia é mostrar como temos, à flor da pele, crenças sobrenaturais. A história do pulôver de um assassino sádico é a campeã. A repulsa em tocar na roupa é quase unânime. Para ele, o exemplo ilustra o "supersentido coletivo". Ou seja, a crença de que "essências invisíveis" podem nos conectar aos outros. Nesse caso, medo de contaminação física e/ou espiritual. A má notícia é que nunca nos livramos dessas crenças. A boa é que elas são essenciais para nossa vida em sociedade.