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11/12/2010 - 20h08

Para reencontrar sua mulher, marido faz uma caminhada em busca de si mesmo

colaboração para a Livraria da Folha

Uma correspondente de guerra desaparece sem vestígios. A polícia suspeita de sequestro ou assassinato. O roteiro até poderia ser o de um romance policial, mas longe disso. Essa é uma história sobre espiritualidade, sobre a busca de si mesmo. Da trajetória do marido inconformado, que vira o mundo para achar sua bem-amada, pode-se dizer que qualquer semelhança com a vida do autor, o escritor Paulo Coelho, não é mera coincidência.

Em "O Zahir" (Rocco), o marido abandonado é ume escritor famoso, que vende milhares de livros no mundo inteiro, que foi rebelde na época hippie e escreveu letras de música para um cantor de sucesso. Por causa dessa mulher amada, ele fez a pé o caminho de Santiago de Compostela. Mas agora, para reencontrá-la, ele teria que ir mais longe. Ele teria que compreender o que é o amor, fazer uma nova caminhada espiritual e encontrá-la, finalmente, no Casaquistão.

Zahir, segundo a tradição islâmica, é algo ou alguém que acaba por dominar completamente seu pensamento, sem que você possa esquecê-lo momento algum. Para o marido, a esposa desaparecida passou a ser o seu Zahir. Ela estava no rosto de cada mulher com quem ele cruzava na rua. Ela a via nos bares, nos cinemas, nos pontos de ônibus. "Eu precisava de um antídoto, algo que não me levasse ao desespero", diz o personagem, em desespero.

O encontro casual com Mikhail, o jovem moreno pivô de todo seu sofrimento - teria sido por ele que Esther o abandonou? - poderia lhe dar novas pistas da mulher. Mas, com o misterioso jovem rival, ele teria muito mais a descobrir. Mikhail iria levá-lo a uma aventura de descobertas sobre crenças, sobre o que é realmente importante na vida, sobre o passado e sobre renovação. Ao encontro da sua amada, ele reencontrou a si mesmo, "o homem que se havia perdido no caminho".