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12/09/2011 - 21h00

Professora de literatura explica o herói sem caráter

da Livraria da Folha

Divulgação
Mário de Andrade adaptou do folclore indígena, africano e europeu
Professora de literatura comenta em detalhes cada capítulo da obra

Publicado originalmente em 1928, "Macunaíma" é considerado a obra-prima de Mário de Andrade (1893-1945). O texto, que adapta folclore indígena, africano e europeu, conta a trajetória do herói sem nenhum caráter, personagem síntese do homem brasileiro.

Em "Folha Explica: Macunaíma", a professora de literatura Noemi Jaffe, autora de "Todas as Coisas Pequenas", expõe a complexidade da obra comentando cada capítulo do "épico" nacional.

O livro faz parte da coleção "Folha Explica", série composta por mais de 80 volumes breves que abrangem de forma sintética diversas áreas do conhecimento. A finalidade é oferecer condições para que o leitor fique bem informado e possa refletir sobre questões atuais por um preço acessível.

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Cada título resume o que de mais importante se sabe sobre o assunto. Darwin, Nietzsche, Freud, música popular, narcotráfico e violência urbana são exemplos da diversidade dos temas tratados.

A lista de autores que contribuíram para a série inclui nomes como Drauzio Varella, Alfredo Bosi, Moacyr Scliar, Marcelo Leite e Rubens Ricupero.

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Atenção: o texto reproduzido abaixo mantém a ortografia original do livro e não está atualizado de acordo com as regras do Novo Acordo Ortográfico. Conheça o livro "Escrevendo pela Nova Ortografia".

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"Macunaíma" é um dos livros mais importantes da literatura brasileira, por várias razões: as rupturas narrativas de tempo, espaço e composição de personagem; a ruptura lingüística, que mistura o culto e o popular, o urbano e o regional, o escrito e o oral, contribuindo para o estabelecimento de uma "fala brasileira"; a importância da narrativa como personagem propriamente, já que o texto se assume como um relato e o narrador como seu relator; a personagem, herói sem nenhum caráter, que se situa além do bem e do mal; o significado geral da obra, que sintetiza uma reflexão crítica sobre a personalidade do homem brasileiro. E poderíamos citar muitos outros motivos. O fato é que Macunaíma se inscreveu como parte de nossa cultura, incitando polêmicas e desdobramentos em todas as gerações subseqüentes, mas sobretudo muita surpresa e prazer.

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Pôster de "Macunaíma", do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, que morreu em 1988
Pôster de "Macunaíma", do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, com Grande Otelo

Assim como Macunaíma, seu autor, Mário de Andrade (1893-1945), também é fundamental para a compreensão da singularidade do modernismo brasileiro e das manifestações que viriam sucedê-lo. Mário foi um dos idealizadores da Semana de Arte Moderna, criador de várias obras importantes, como Amar, Verbo Intransitivo, Lira Paulistana, Contos Novos e Clã do Jabuti; um garimpeiro da cultura popular e do folclore; músico e professor; autor de uma correspondência criativa e crítica sobre a literatura, a música e a cultura brasileiras; crítico da própria obra e do modernismo em geral.

Com tantas grandezas envolvidas, tanto da obra como do autor, seria mesmo difícil compreendê-los inteiramente num espaço pequeno como o deste livro, que deve ser visto como uma iniciação à leitura de Macunaíma, ou um auxílio para sua compreensão e interpretação. Por tratar-se de uma obra com muitas referências externas, é importante contar com um suporte para a jornada de nosso herói sem caráter. Mas não é o caso, de forma alguma, de substituir a fantástica viagem macunaímica por algum outro texto. O dinamismo, o humor, as contradições, o aprendizado só podem acontecer a partir da rapsódia --tudo mais é paralelo. Aliás, é assim com qualquer obra ou autor. Por mais que se faça uma paráfrase detalhada, com análises e interpretações, como acontece neste livro, a intenção é estimular a leitura e a discussão da obra, especialmente de uma obra tão polêmica quanto Macunaíma.

As obras literárias não servem a nada nem a ninguém. A melhor maneira de lê-las, fruí-las e entendê-las é com um sentido íntimo de liberdade, mesmo que tenham sido recomendadas por professores, que sejam necessárias para o trabalho de pesquisa ou para outros fins.

Uma obra da dimensão de Macunaíma, mesmo quando sua leitura é obrigatória, só poderá ser conhecida se, durante a leitura, o leitor desobrigar-se de algum objetivo final. Cuidemos disso posteriormente, depois da leitura concluída. Este breve livro sintetiza a narrativa de Macunaíma, com análises e interpretações, e apresenta suas principais leituras críticas, dados contextuais da época em que o livro foi escrito e uma pequena biografia de Mário de Andrade, além de resumir algumas repercussões que o modernismo e Macunaíma tiveram na vida cultural do país até a década de 1960.

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"Macunaíma"
Autor: Noemi Jaffe
Editora: Publifolha
Páginas: 80
Quanto: R$15,12 (preço promocional)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha