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15/03/2011 - 22h28

Professor de história resume a trajetória do Japão

da Livraria da Folha

Divulgação
Cada página do livro "Ideias que Mudaram o Mundo" é ilustrada
Cada página do livro "Ideias que Mudaram o Mundo" é ilustrada

O mundo acompanha as imagens da tragédia do terremoto, tsunami e perigo nuclear no Japão, já combalido na economia (perdeu para a China o título de segundo maior PIB do planeta).

O país do Oriente é conhecido por sua história de superação após abalos como ocorreu na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) com a explosão da bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki, o êxodo consequente que resultou em comunidades nipônicas fortes em países como o Brasil.

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Da terra das tradições à meca das inovações tecnológicas, modismos jovens e lar de gigantes dos games e de ramos estratégicos da indústria do entretenimento.

Em um dos capítulos de "Ideias que Mudaram o Mundo", Felipe Fernandez-Armesto, que foi professor de história nas universidades de Londres e Oxford, resume a trajetória dos japoneses a partir da influência chinesa, em 700 d.C..

Leia um trecho.

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Sementes dispersas - a ideia da superioridade japonesa

A partir do primeiro período de influência chinesa no Japão, iniciado em 700 d.C., os japoneses se curvaram à superioridade cultural chinesa, como os bárbaros do Ocidente haviam se submetido à cultura da Roma Antiga. Mas eles nunca aceitaram que isso implicasse a deferência política.

A imagem do mundo mantida pelos japoneses era dúplice. Antes de mais nada, a nação era em parte budista e havia adotado o mapa-múndi tradicional da cosmografia indiana: a Índia ficava no meio, com o "monte Meru" - possivelmente uma representação estilizada da cadeia do Himalaia - como ponto central do mundo. A China era um dos continentes exteriores, e o Japão consistia em "sementes dispersas no limite do campo semeado". Mas ao mesmo tempo isso proporcionava uma vantagem fundamental ao Japão: uma vez que o budismo chegou tardiamente, o Japão foi o lar de sua fase mais madura, onde se criaram as doutrinas depuradas.

Secundariamente, havia uma tradição autóctone afirmando que os japoneses descendiam de uma progênie divina. Em 1339, Kitabake Chikafusa deu início à tradição de chamar o Japão de "país divino" e atribuiu-a a uma superioridade limitada: a proximidade com a China tornava-o superior a todas as nações bárbaras. A reação japonesa à exigência de pagar tributo à China, durante o período Ming, proporcionou uma visão alternativa de um cosmo pluralista e um conceito de soberania territorial: "O Céu e a Terra são vastos e não são monopólio de um só governante. O Universo é grande e amplo, e os diversos países foram criados para ter cada um uma parcela de seu governo". Por volta da década de 1590, o senhor da guerra japonês Hideyoshi podia sonhar em "esmagar a China como um ovo" e "ensinar aos chineses os costumes japoneses". Isso constituiu uma inversão notável (embora insustentável) das normas anteriores.

As tradições foram sintetizadas e levadas a um estágio superior pelo astrônomo confucionista Nishikawa Joken (1648-1724) sob o impacto do contato com o Ocidente e da revelação da vastidão do mundo, ilustrada pela cartografia ocidental. Ele salientou que nenhum país era, de fato, central em um mundo esférico, mas que o Japão era inerentemente superior em bases supostamente científicas: o clima era melhor no Japão, uma prova do favorecimento dos céus. A partir da Restauração Meiji iniciada em 1868, o papel da ideologia de sustentação do estado foi assumido por um mito de concepção mais moderna, reciclando os elementos tradicionais: todos os japoneses descendem da deusa do Sol. O imperador é o descendente mais antigo em linha direta. Sua autoridade é a mesma do chefe de uma família. A constituição japonesa de 1889 chamou-o de "sagrado e inviolável", o produto de uma continuidade sucessória "ininterrupta pela eternidade"

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"Ideias que Mudaram o Mundo"
Autor: Felipe Fernández-Armesto
Editora: Arx
Páginas: 400
Quanto: R$ 44,90 (preço promocional, por tempo limitado)
Onde comprar: 0800-140090 ou na Livraria da Folha

 
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