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01/08/2011 - 17h00

Argentinos chamam jogadores brasileiros de macacos desde 1920

da Livraria da Folha

O livro "Lima Barreto: Antologia de Crônicas" (Companhia Editora Nacional, 2011) traz um rico afresco pintado pelo escritor carioca (1881-1922) sobre o Brasil no início do século 20.

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Divulgação
Um dos principais escritores do país expõe seu olhar sobre a sociedade
Um dos principais escritores do país expõe seu olhar sobre a sociedade

O futebol está entre os temas retratados pelo autor e chega a ter uma seção inteira da publicação dedicada ao assunto. Um dos artigos, com data de 1920, foi motivado por xingamentos de um jornal argentino aos jogadores brasileiros que estiveram de passagem por lá.

Naquela época, o preconceituoso "macaquitos" já era proferido para menosprezar o talento da equipe canarinha. Indo na contracorrente do politicamente correto, o escritor se vangloria de sermos chamados de macacos, afinal, este seria um nobre ancestral da humanidade, muito mais inteligente que o galo dos franceses ou o urso dos russos.

No livro, Barreto --considerado um dos maiores escritores de nossa língua-- também fala do cotidiano, de política, de artes, do feminismo, do patriotismo, dos conflitos do mundo, da memória e das tecnologias.

O volume é a chance de entrar na cabeça deste observador arguto, crítico e mordaz da sociedade brasileira nas primeiras décadas do século 20.

Monte sua estante com obras de Lima Barreto

Leia trecho da crônica "Macaquitos".

*

Um jornal ou semanário de Buenos Aires, quando uma equipe brasileira de football, de volta do Chile, onde fora disputar um campeonato internacional, por lá passou, pintou-a como macacos.

A coisa passou desapercebida, devido ao atordoamento das festas do Rei Alberto; mas, se assim não fosse, estou certo de que haveria irritação de todos os ânimos.

Precisamos nos convencer de que não há nenhum insulto em chamar-nos de macacos. O macaco, segundo os zoologistas, é um dos mais adiantados exemplares da vida animal; e há mesmo competências que o fazem, senão pai, pelo menos primo do homem. Tão digno "totem" não nos pode causar vergonha.

A França, isto é, os franceses são tratados de galos e eles não se zangam com isto; ao contrário: o galo gaulês, o chantecler, é motivo de orgulho para eles.

Entretanto, quão longe está o galo, na escala zoológica, do macaco! Nem mamífero é!

Quase todas as nações, segundo lendas e tradições, têm parentesco ou se emblemam com animais. Os russos nunca se zangaram por chamá-los de ursos brancos; e o urso não é um animal tão inteligente e ladino como o macaco.

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"Lima Barreto: Antologia de Crônicas"
Autor: Lima Barreto
Editora: Lazuli Editora
Páginas: 286
Quanto: R$ 27,96 (preço promocional, por tempo limitado)
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

 
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