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04/08/2011 - 17h00

Obras espiritualistas sofrem preconceito dos próprios espíritas, diz autor

FELIPE JORDANI
da Livraria da Folha

Marcelo Cezar é um dos principais escritores de romances espíritas do país. Autor de 15 livros, treze deles já publicados, invadiu as prateleiras especializadas em julho com o lançamento "O Próximo Passo", título que fala sobre a rejeição entre pais e filhos.

Divulgação
Escritor revela como escreveu 15 romances com ajuda de espírito
Escritor revela como escreveu 15 obras com ajuda de espírito

De acordo com Cezar, todos as suas obras foram escritas em parceria com o espírito de Marco Aurélio, que teria sido um investigador de polícia no Rio de Janeiro no fim do século 19 em sua última encarnação.

O escritor, que também atua como editor na Vida & Consciência, uma das maiores editoras de livros espíritas do país, fundada por Zibia Gasparetto, fala, em entrevista, por telefone, à Livraria da Folha, sobre a história do novo livro, como funciona seu processo de escrita e do descrédito que parte do espiritismo tem com os romances espiritualistas.

*

Livraria da Folha: Seu livro traz uma história de passado, presente e rejeição. Pode falar um pouco mais sobre o enredo?
Marcelo Cezar: Ele começa em 1975 e vem até hoje. Inicio com a história dos pais, porque o livro trata basicamente de rejeição entre pais e filhos. Os pais começam jovens, na década de 1970, depois nascem os filhos e aí é que nós vamos começar a entender melhor o processo de rejeição entre eles. Então vem de 1975 até 2011.

Reprodução
Em romance espírita, casal aprende a superar traumas do passado
Em romance espírita, casal aprende a superar traumas do passado

Livraria: Como é a sua relação com Marco Aurélio, o espírito que você diz ter lhe ajudado a escrever a história?
Cezar: Bem, nós temos 15 livros escritos. Treze deles publicados, com este último. Ele me acompanha desde as aulas de psicografia no centro espírita que eu frequentava. Nesta brincadeira, o Marco Aurélio está comigo há quase trinta anos. Ele foi me preparando durante quase vinte anos para a gente escrever um livro, acredita?

Não é assim, de um dia para o outro, que você começa a lançar livros e sai na lista de mais vendidos. O processo começou lá atrás, na década de 1980. O primeiro, nós fomos escrevendo ao longo de sessões, aulas de psicografia no centro [espírita]. A cada sessão, cada aula, escrevíamos um pouquinho. Então, ao longo de vinte anos, saiu o primeiro livro. Para você ver como o treino foi árduo.

Depois deste primeiro, comecei a ter disciplina. Como o próprio Chico [Xavier (1910-2002)] dizia que o [espírito do] Emmanuel falava para ele: "Disciplina, disciplina, disciplina". É a mesma coisa que acontece com todos os escritores que escrevem livros psicografados. Aí comecei a escrever um livro por ano.

Livraria: E como funciona essa redação? Vocês compõem as frases juntos ou o Marco Aurélio passa ideias e você compõe as frases?
Cezar: Ele me passa as ideias e eu componho as frases, principalmente os diálogos. Eu coloco mensagens positivas para o leitor, porque fica mais fácil, senão parece que você está doutrinando. A partes mais ligadas à espiritualidade, à reencarnação, à mediunidade, são questões todas dele mesmo. Do espírito, não minhas.

Mas chega um momento, são tantos anos juntos, que você está tão acostumado que começa a confundir o que é seu e o que é dele, começa a misturar e fica uma coisa só. Por isso que nós, como escritores e médiuns, temos que estudar cada vez mais para não ter nenhum bloqueio do que o espírito queira passar. Se tiver algum preconceito ou dificuldade com alguma questão, vai ser muito difícil ele passar e de repente a minha mente acaba bloqueando, entendeu?

Livraria: Essas histórias compostas pelo Marco Aurélio seriam histórias que ele vivenciou ou...
Cezar: São verídicas, histórias que sempre chegam para ele. Ele conhece um espírito que vivenciou ou passou por essa situação e a traz. O que a gente faz, até por respeito, porque são histórias muito modernas e atuais --tem muita gente que está viva-- é trocar lugares, profissões e personagens para preservar família, nome e tudo mais. É feito todo um arranjo, mas a estrutura e a situação são verídicas.

Livraria: Obras de literatura nacional têm tiragem de 3 mil e penam para vender. Já um romance espírita como o seu chega às prateleiras com 20 mil exemplares e tem venda garantida. Você chega a enfrentar descrédito, mesmo com toda essa aceitação?
Cezar: Dos céticos nem tanto. Eles dizem que a história é exclusivamente fruto da minha imaginação, mas que é muito boa. Então, eu até escuto elogios deles. Geralmente, quem pega no meu calcanhar são os espíritas puristas.

Livraria: Há sempre uma linha mais ortodoxa...
Cezar: Isso, como o judeu ou o muçulmano ortodoxos. Então, é complicado. Eu sinto que geralmente o preconceito vem do espírita. O "espiritão", não estou falando dos espíritas em geral.

Muita gente frequenta centros [espíritas] e diz "comecei a frequentar depois que li seu livro" ou "no centro que frequento o seu livro é muito bem aceito". Mas há determinados grupos mais conservadores. Acho que isso é que fica mais interessante: são os espíritas conservadores que geralmente atacam ou condenam meus romances e, consequentemente, meu sucesso.

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"O Próximo Passo"
Autor: Marcelo Cezar
Editora: Editora Vida e Consciência
Páginas: 320
Quanto: R$ 31,90 (preço promocional, por tempo limitado)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

 
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