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31/01/2012 - 16h43

China proíbe entrada dos supernavios da Vale

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FABIANO MAISONNAVE
DE PEQUIM

Pressionada por empresas de transporte marítimo do país, a China proibiu a operação em seus portos da frota de supernavios da mineradora Vale. A justificativa é de que embarcações desse porte são inseguras.

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"Não estamos otimistas sobre a segurança das operações portuárias para navios grandes, principalmente navios supergrandes cujo tamanho é maior do que permitem os padrões", diz um comunicado do Ministério dos Transporte.

Em dezembro, um desses navios, o Vale Beijing, apresentou rachaduras após ser carregado com minério de ferro litoral do Maranhão. Chamados de Valemax, são os maiores do gênero no mundo, com capacidade para transportar até 400 mil toneladas de minério de ferro.

A decisão é um grande revés para a Vale, que em 2008 decidiu criar uma frota própria como forma de reduzir custos de transporte até a China, seu principal cliente e o maior importador mundial do produto. As jazidas da empresa brasileira estão bem mais distantes da Ásia em relação aos seus principais concorrentes, BHP Billiton e Rio Tinto.

A Vale, que não comentou a decisão, terá agora de lançar mão de megacentros de distribuição na Malásia e nas Filipinas, onde os Valemax poderão atracar. De lá, o minério será recolocado em navios menores e enviado a China, aumentando os custos de transporte.

PLANO B

Esse plano B aparentemente já está em curso. A agência de notícias Reuters revelou que um Valemax carregado chegou recentemente às Filipinas. Nos próximos dias, o minério de ferro será readequado em dois ou três navios menores para então serem levados à China e a outros mercados asiáticos.

Dos 35 supernavios encomendados em estaleiros na China e na Coreia do Sul, 19 pertencem à Vale, a um custo de US$ 2 bilhões. O restante é de empresas com contrato de prestação de serviço com a empresa. A frota deve ficar totalmente pronta até 2013.

Biaman Prado
Navio fretado pela Vale que apresentou uma rachadura no terminal Ponta da Madeira, em São Luís (MA)
Navio fretado pela Vale que apresentou uma rachadura no terminal Ponta da Madeira, em São Luís (MA)

A resistência chinesa vem desde o ano passado. Até hoje, somente um navio Valemax foi autorizado a atracar na China --no porto de Dalian (nordeste), em dezembro.

As principais críticas contra os navios vêm da Associação de Proprietários de Navio da China (CSA, na sigla em inglês), que representa 80% do setor.

Em entrevista à Folha em agosto, o vice-presidente da CSA, Zhang Shouguo, afirmou que existe um excesso de navios de transporte e que a frota da Vale é "desnecessária". Disse ainda que a mineradora estava próxima de monopolizar o transporte de minério de ferro entre Brasil e China.

Não é só na Ásia que os Valemax provocam polêmica. Em 2008, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a decisão da empresa de não fabricar os navios no Brasil. O desgaste contribuiu para a saída de Roger Agnelli da presidência da empresa, no ano passado.

 

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