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Estrangeiro acirra disputa em leilão de aeroportos
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MARIANA BARBOSA
JULIO WIZIACK
DE SÃO PAULO
Os maiores e melhores operadores de aeroportos do mundo estarão na disputa pelas concessões de Guarulhos, Campinas e Brasília amanhã na sede da BM&FBovespa, em São Paulo.
Cálculos extraoficiais dão conta de que 11 grupos apresentaram proposta, entre eles as operadoras Changi (do aeroporto de Cingapura), Zurich (de Zurique, Suíça), Fraport (Frankfurt, Alemanha), Ferrovial (espanhola responsável pelo aeroporto de Heathrow, em Londres).
Operadora daquele que é considerado o melhor aeroporto do mundo, a Changi se associou à Odebrecht.
Changi está a anos-luz de qualquer aeroporto brasileiro: tem spa com piscina, cinema, escorregador gigante de 12 metros e trens expressos conectando terminais. Se a entrega da bagagem demora mais de 16 minutos, o passageiro é recompensado.
Em Zurique, é possível alugar bicicletas e patins para matar tempo explorando o entorno arborizado do aeroporto.
A inclusão de um operador experiente no consórcio foi uma das exigências do edital de concessão elaborado pelo governo. A julgar pela quantidade de candidatos inscritos e habilitados, a disputa será acirrada.
Mas transformar as "rodoviárias aéreas" brasileiras em templos de eficiência e conforto não vai sair barato.
| Lula Marques/Folhapress | ||
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| Aeroporto de Brasília, um dos três aeroportos que irão a leilão na próxima segunda-feira |
As companhias aéreas temem que tudo fique mais caro: do aluguel dos balcões de check-in às próprias tarifas aeroportuárias. Custos mais altos se traduzem em passagens mais caras.
"Preferíamos uma privatização pelo critério de menor tarifa ao de maior outorga", diz Adalberto Febeliano, diretor de relações institucionais da Azul. "Mas as regras de garantia de serviço são boas e vamos ganhar muito em qualidade."
Os consórcios poderão oferecer propostas para os três aeroportos, mas só poderão levar um. Ganhará quem oferecer o maior valor de outorga para cada aeroporto.
Esse valor será pago ao longo do prazo de concessão, de 20 a 30 anos, dependendo do aeroporto.
Os lances mínimos são de R$ 3,4 bilhões para Guarulhos, R$ 582 milhões para Brasília e R$ 1,5 bilhão para Campinas. O temor dos investidores é de que um ágio muito alto comprometa a rentabilidade do negócio.
Os concessionários pagarão ainda um percentual sobre a receita. E se comprometem a realizar investimentos que somam R$ 16 bilhões (para os três aeroportos). Desse total, R$ 2,9 bilhões devem ser aplicados até a Copa. O não cumprimento implica multa de R$ 150 milhões.
A partir de 2014, as tarifas aeroportuárias passarão a ser reajustadas anualmente tendo como base critérios de qualidade. Se o indicador de qualidade cair, o reajuste tarifário não será integral.
"A privatização é a última esperança para conseguirmos realizar investimentos necessários, sem embargos do TCU", diz o engenheiro de infraestrutura aeronáutica Cláudio Jorge Pinto Alves. "Agora é torcer para que mais aeroportos passem para a iniciativa privada."
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