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04/02/2012 - 23h36

Com cortes na rede, EUA esperam crescimento lento nas vendas de automóveis

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RICARDO RIBEIRO
ENVIADO ESPECIAL A LAS VEGAS

Na desértica região do estado de Nevada não paira uma única nuvem. Para analistas e concessionários americanos, a previsão é de céu ensolarado também para a indústria automobilística. A velocidade, porém, é de motor 1.0.

Paul Taylor, economista chefe da NADA (associação dos distribuidores de veículos dos EUA) prevê que 13,8 milhões de veículos sejam vendidos nos EUA em 2012 --apenas 240 mil unidades a mais que no ano passado.

"Mesmo com todo tipo de desastre natural e problemas na economia mundial, as vendas de veículos novos continuam a crescer. Driblando muitos problemas, houve um aumento na confiança do consumidor, e a expectativa é de que esse crescimento continue", avalia Taylor.

As projeções da NADA, que inicia hoje (04/02) seu congresso anual, confirmam a tendência de crescimento. A entidade espera que as vendas fiquem em 15,4 milhões, em 2013, e 16,2 milhões, em 2014. Altas tímidas e ainda bem abaixo dos cerca de 17 milhões de veículos vendidos por ano antes da crise.

"O crescimento será muito metódico e muito passo a passo", opina Dan Montague, analista chefe da PwC para a América do Norte.

A rede de concessionárias dos EUA também está menor. Antes da crise eram 21.700 distribuidores espalhados pelo país. Mais de 2.700 deles não resistiram, fecharam as portas e, em 2010, a rede caiu para 18.460 lojas.

Segundo dados da NADA, o número atual é ainda menor: cerca de 16.500 concessionárias.

"Muitas revendas fecharam durante a crise, outras foram reabertas, mas a muitos distribuidores estão sendo absorvidos por grandes grupos de concessionários que otimizam pontos de venda, o que é uma tendência nessa nova realidade de mercado", defende Stephen Wade, chairman da NADA, que passará o cargo no evento para William Underriner.

ASIÁTICAS

Com alta nas vendas, a divisão do bolo mudou. A participação das japonesas Toyota e Honda, afetadas por desastres naturais e recalls, caiu de 15,3% e 10,6%, em 2010, para 12,9% e 9,0%, em 2011, respectivamente.

As americanas aproveitaram para recuperar mercado em casa, mas com taxas menores que as sul-coreanas. A exceção da Chrysler que sob o controle da Fiat foi de 9,3% para 10,7%.

As marcas locais só não conseguiram recuperar a alegria dos distribuidores. No ranking dos dez fabricantes mais queridos pelos concessionários, a Cadillac, marca de luxo da GM, foi a única americana que apareceu e em décimo lugar empatado com a Honda.

Pelo terceiro ano consecutivo, a sul-coreana Hyundai ficou em primeiro lugar na pesquisa de satisfação realizada pela NADA, seguida de Subaru (japonesa), Lexus (japonesa), Kia (sul-coreana), Mercedes-Benz (alemã), Toyota (japonesa), Volkswagen (alemã), Porsche (alemã) e Audi (alemã). Foram entrevistados 14.700 concessionários de cerca de 16.500.

O jornalista viajou a convite da Fenabrave

 

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