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06/02/2012 - 18h47

Banco Central volta a fazer leilão à vista e dólar sobe 0,58%

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DA REUTERS, EM SÃO PAULO

Com a realização de um leilão de compra de dólares no mercado à vista pelo Banco Central, movimento que não fazia há cerca de cinco meses, o dólar fechou em alta nesta segunda-feira, interrompendo uma sequência de quatro baixas.

O dólar fechou em alta de 0,58%, a 1,727 real na venda.

Foi o segundo dia seguido em que o BC interveio para segurar a cotação da moeda norte-americana. Na sexta-feira, a autoridade monetária realizou um leilão de compra de dólares a termo.

Na operação desta segunda-feira, o BC definiu como corte a taxa de R$ 1,7170 por dólar. No momento do leilão, a moeda norte-americana registrava baixa, sendo que na mínima do dia, chegou a R$ 1,7127. Na máxima, a moeda norte-americana chegou a R$ 1,7358.

A desvalorização apresentada no começo do dia acompanhava a tendência do mercado internacional, onde o dólar também registrava queda graças ao crescimento do apetite por risco, apesar da intensificação das preocupações com a ameaça de um calote desordenado da Grécia.

O fluxo de recursos externos para o Brasil, impulsionado pelas recentes captações externas feitas por empresas brasileiras, também ajudava a derrubar a cotação da moeda norte-americana.

Essa trajetória mudou após a realização do leilão pelo BC, na primeira vez desde 13 de setembro que a autoridade monetária comprou moeda no segmento à vista. Na época, o BC interrompeu as compras devido à disparada do dólar por causa do agravamento da crise de dívida na zona do euro.

Na opinião do operador de câmbio do Banco Votorantim Rafael Couto, o BC deve continuar a intervir no mercado, até com operações diárias. Ele considera ainda que, caso a cotação do dólar fique abaixo de R$ 1,70 por dólar, considerada pelo mercado como um "piso informal", o governo pode entrar com medidas regulatórias, como a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nos contratos de derivativos cambiais.

"Esses leilões do BC hoje têm uma eficácia muito maior do que no passado, por causa do IOF sobre as posições futuras", disse Couto.

No final de julho passado, um dia depois de o BC realizar seu última leilão a termo de 2011, o governo anunciou uma taxação sobre as exposições em derivativos cambiais, feitas tanto por instituições financeiras quanto pessoas físicas, em um esforço para reduzir as apostas contra o dólar e conter a valorização do real. Naquele momento, o dólar estava cotado próximo a R$ 1,55, nas mínimas em 12 anos.

"Contra fluxo não há argumento", disse Couto, apontando o ingresso de recursos externos no Brasil como um dos principais motivos para o BC retomar uma rotina de intervenções no câmbio.

Nesta segunda-feira, a demanda pelas notas não-securitizadas de 10 anos da Brasil Telecom superou 6,3 bilhões de dólares, informou o IFR, um serviço de notícias da Thomson Reuters. A expectativa é de que a emissão possa atingir US$ 1 bilhão.

Operadores também afirmaram que o leilão de concessão dos aeroportos nesta segunda-feira, com a participação de investidores estrangeiros, também ajudou a ampliar a percepção de que mais dólares continuarão entrando no país.

Grupos nacionais e estrangeiros vão desembolsar R$ 24,5 bilhões para assumir o comando de três dos maiores aeroportos do Brasil, quase cinco vezes o valor mínimo de R$ 5,5 bilhões que o governo pedia pelo controle dos terminais de Guarulhos, Viracopos e Brasília.

A entrada de recursos por conta dessas operações, no entanto, não será muito significativa. Isso porque o pagamento da primeira parcela da outorga ocorrerá de 12 a 13 meses após assinatura da concessão, prevista para maio. Depois disso, serão parcelas anuais até o encerramento das concessões, que variam de 20 a 30 anos.

O valor da primeira parcela, considerando apenas a fatia das empresas estrangeiras que participam dos consórcios vencedores, é de aproximadamente R$ 200 milhões.

 

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