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Tucanos atacam PT por privatização de aeroportos
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MÁRCIO FALCÃO
MARIA CLARA CABRAL
DE BRASÍLIA
Atualizado às 18h23.
Um dia após o governo leiloar três dos principais aeroportos do país, líderes tucanos usaram a tribuna do Senado nesta terça-feira para atacar o PT e afirmar que o partido "enterrou" uma de suas maiores bandeiras: a luta contra a privatização.
Preço tira grandes construtoras da disputa por aeroportos
Os senadores Wellignton Dias (PI) e Humberto Costa saíram em defesa do leilão do aeroportos de Guarulhos (Cumbica-SP), Campinas (Viracopos-SP) e Brasília (Juscelino Kubitschek).
O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) fez um trocadilho e ironizou o chamado "reposicionamento de aeronaves", afirmando que a concessão dos terminais era um "reposicionamento do PT".
"Quero saudar esse reposicionamento do PT em relação às privatizações. Vamos ficar livres da cantilena do PT que a cada eleição vem demonizando as privatizações."
Ferreira lembrou que o governo José Serra em São Paulo tentou fazer concessões dos terminais do Estado, que não foram autorizados pelo governo Lula.
"O Serra tentou fazer um processo concessão de aeroportos de São Paulo, mas empacou. Infelizmente, esse processo não avançou porque o governo do PT estava freado por seus preconceitos de natureza ideológica."
O líder do PSDB, Álvaro Dias (PR), disse que houve um "estelionato eleitoral", uma vez que o PT pregou que os tucanos seriam responsáveis pelas privatizações no país.
"É a confissão de incapacidade administrativa do governo de realizar obras para oferecer aeroportos adequados", disse.
Para Dias, o PT "enterrou compromissos de 20 anos" e os petistas estariam envergonhados da ação.
O senador Wellignton Dias afirmou que o governo acertou na concessão dos terminais. A operação rendeu R$ 24,5 bilhões, valor é 347% superior aos R$ 5,482 bilhões de lance inicial pelos três aeroportos.
"Ontem mesmo eu fiz um pronunciamento ressaltando esse processo inovador e considero sim um sucesso. Não é privatização --temos patrimônio que continua com o povo brasileiro. É uma parceria", disse.
Costa rebateu às provocações do líder tucano. "Não me incluo entre os envergonhados com esta decisão. Nós privatizamos a estrutura de prestação de serviços em terra. Isso vai permitir que entre novos recursos e vai permitir que entre recursos para a Copa."
PETISTAS
Líderes petistas defenderam os leilões e negaram que a atitude seja uma mudança de discurso sobre as privatizações.
O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), alega que o PT nunca foi contra privatizações em areas que não são estruturantes do país. Para ele, uma concessão em aeroportos, como a de ontem, é diferente de concessões em áreas como energia, por exemplo, que devem ficar na mão dos Estados.
"Investimentos existem para as áreas que não necessariamente precisam viver só de recursos público. Eu sempre defendi a abertura de capital dos aeroportos", disse Maia, que já presidiu a CPI do Apagão Aéreo.
O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), alega que as concessões realizadas ontem não têm o "objetivo de reduzir o papel do Estado, mas sim aumentar os investimentos".
"Todos somos a favor da iniciativa privada. É um modelo de concessão que foi feito com sucesso e não tem nenhuma relação com o que foi feito antes", diz ele referindo-se às privatizações feitas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e que foram criticadas pelos petistas.
O ex-presidente do PT deputado Ricardo Berzoini (SP) também fez questão de ressaltar a diferença entre privatização e concessão. "O PT nunca foi contra concessão de serviços públicos, tanto que temos vários prefeitos que fazem em seus serviços, no transporte, por exemplo. De qualquer forma, não podemos tratar privatização como um palavrão."
E o vice-líder do governo na Câmara deputado Odair Cunha (MG) alega que no caso dos aeroportos não hpa entrega de patrimônio público, mas sim "uma empresa privada colocando recursos e ajudando. É diferente de entregar a Vale, por exemplo".
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