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24/02/2012 - 11h16

Lojas da Daslu não abrirão nesta sexta em luto por morte de empresária

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DE SÃO PAULO

As duas lojas da Daslu não abrirão nesta sexta-feira em razão da morte da empresária Eliana Piva de Albuquerque Tranchesi, 56 anos. Em 2011, o comando da grife de luxo foi vendido, mas ela foi mantida como consultora da marca.

As unidades, uma localizada em São Paulo, no shopping Cidade Jardim, e a outra no Rio, no Fashion Mall, voltarão a funcionar no sábado.

Veja galeria de fotos da empresária
Herdeira da Daslu, Eliana Tranchesi morre aos 56 anos em SP

Eliana morreu às 0h20 de hoje. Ela estava internada no hospital Albert Einstein, em São Paulo.

O corpo será velado no local e, ao meio-dia, encaminhado para o cemitério do Morumbi, na zona sul da capital paulista, onde o enterro acontece às 15h.

Eliana não resistiu ao câncer contra o qual lutava desde 2006 e que acabou por afastá-la do comando da Daslu, maior butique de luxo do país.

Em nota, o hospital informou que o falecimento foi em decorrência de um câncer pulmonar complicado por pneumonia.

No site da marca, há um comunicado com uma foto de Eliana que diz: "É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Eliana Tranchesi, por tantos anos a incentivadora e a força por trás da marca Daslu, ocorrido na madrugada desta sexta-feira, no hospital Albert Einstein, em São Paulo. A família Daslu, unida há tantos anos, sente profundamente a perda de uma figura tão relevante na história da companhia. A Daslu é um reflexo do trabalho que Eliana dispensou à marca ao longo da vida. O legado que ela deixa é o de absoluta dedicação ao trabalho e a Daslu. Ela fica nas nossas orações".

Fernando Donasci - 12.nov.05/Folhapress
A empresária Eliana Tranchesi, da Daslu
A empresária Eliana Tranchesi, da Daslu, lutava contra um câncer pulmonar desde 2006

HISTÓRICO

Eliana herdou a Daslu da mãe, Lucia Piva. A loja nasceu quando Tranchesi tinha apenas um ano de idade, na sala da casa de sua mãe. O nome vem da junção dos nomes das primeiras sócias da loja, Lucia Piva e Lourdes Aranha, ambas apelidadas de Lu.

A loja virou uma grife e, a partir dos anos 90, começou a trabalhar com importados, quando as importações foram liberadas pelo então presidente Fernando Collor de Mello. Ela foi para a Europa e voltou com a mala abarrotada de marcas famosas que caíram no gosto dos endinheirados brasileiros. A partir daí, a Daslu virou referência para quem tinha dinheiro para gastar e queria ver e ser visto.

A Daslu começou a passar por dificuldades financeiras em 2005, quando foi alvo da Operação Narciso, feita por Receita Federal, Ministério Público e Polícia Federal.

Eliana Tranchesi foi presa e condenada a 94 anos de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, fraude em importações e falsificação de documentos. A empresária foi liberada com um habeas corpus.

Desde julho de 2010, a Daslu estava em recuperação judicial, o mecanismo que substituiu a antiga concordata e que permite a suspensão do pagamento das dívidas enquanto é negociada uma saída para a crise.

Em fevereiro do ano passado, a grife foi comprada pelo Fundo Laep, investidor do mercado de capitais que se tornou especialista em comprar empresas à beira da falência.

Ana Ottoni/Folhapress
Eliana em foto de 2006, quando descobriu o câncer.
Eliana em foto de 2006, quando descobriu o câncer.

CÂNCER

Em setembro de 2006, quando revelou que havia retirado um tumor do pulmão e que iniciaria sessões de quimioterapia e radioterapia, ela afirmou que "a crise da Daslu e mais o câncer me fizeram sentir como se eu fosse uma criança deixando abruptamente a Disney. Até então, eu imaginava a vida como uma grande brincadeira [...]. A Daslu é a Disney, onde tudo é lindo, as vendedoras são lindas, o cabelo é lindo, a roupa é linda, é tudo bonito. É tudo agradável. Então, de repente, você sai desse mundo da Disney e cai lá dentro do [hospital Albert] Einstein já com um monte de pacientes com câncer".

Eliana foi casada como o médico Bernardino Tranchesi e tinha três filhos: Bernardo, 26, Luciana, 23, e Marcela, 20.

Religiosa, tinha o hábito de ir à missa aos domingos. Na Daslu há até uma capela, onde uma missa, fechada aos mais íntimos, serviu de cerimônia de "passagem". Eliana apontou para Deus quando tentou traduzir o segredo do sucesso. "Acho que o segredo do meu sucesso é Deus e trabalhar feliz, em um astral bom", disse a empresária dias antes de inaugurar a Villa Daslu na zona sul de São Paulo, em 2005.

 

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