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Editoras Penguin e Random House se unem e miram países emergentes
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MARIANA BARBOSA
DE SÃO PAULO
Mirando o fortalecimento no meio digital e uma presença maior nos mercados emergentes, as editoras Random House, do grupo alemão Bertelsmann, e Penguin (do grupo britânico Pearson) anunciaram ontem a fusão de suas operações.
O negócio, que depende ainda do sinal verde dos órgãos de defesa da concorrência, levará à criação de uma das maiores editoras globais, responsável por 20% dos títulos em inglês vendidos no mundo.
A News Corp., de Rupert Murdoch, dona da HarperCollins, também fez uma oferta pela Penguin, mas as negociações não prosperaram.
Dentre as justificativas para a fusão, o presidente da Bertelsmann, Thomas Rabe, citou a importância de aumentar a presença em países como Brasil, Índia e China.
A Random House, editora do best-seller "50 Tons de Cinza", tem um selo espanhol com presença na América Latina, mas não atua no Brasil. Está presente também na Austrália, na África do Sul na e Índia. Já a Penguin é dona de 45% da Companhia das Letras e atua na China.
O editor Luiz Schwarcz, dono da Companhia, diz que o Brasil, apesar de ser um mercado "de tamanho irrisório", é visto com grande interesse pelas empresas estrangeiras pelo potencial digital.
"Com o livro digital e o governo investindo em bibliotecas e tablets, a perspectiva é que o Brasil se transforme em um mercado significativo."
Para Schwarcz, a fusão de dois grupos que fazem parte da liga das seis maiores editoras do mundo é apenas o início de um processo de consolidação global do setor.
Ele diz que é cedo para falar sobre as vantagens para a Companhia das Letras, que podem advir da fusão, "além do fato de estar ligado a um grupo muito mais forte".
Para o consultor editorial Carlo Carrenho, fundador do site PublishNews, o negócio representa um "fortalecimento imenso da Companhia das Letras, que passa a ter acesso privilegiado ao catálogo de duas das mais importantes editoras do mundo".
Na sua opinião, a consolidação é ruim do ponto de vista da diversidade cultural global, mas tem a vantagem de criar selos fortes capazes de fazer fazer frente a gigantes do meio digital.
"Elas terão muito mais força para peitar ou para negociar com a Amazon" diz. "A perda da diversidade é fato, mas hoje, com as opções de autopublicação no meio digital, as editoras perderam muito do poder de guardião do que deve ser publicado."
A presidente-executiva da Pearson (dona também do "Financial Times"), Marjorie Scardino, ressaltou, em nota, que a fusão permitirá às empresas compartilhar investimentos no meio digital e arriscar na tentativa de desenvolver modelos de negócios com livros e leitores digitais.
Dentre as possibilidades, estaria o desenvolvimento de um site para vender livros diretamente ao consumidor. Hoje os livros digitais representam 22% dos negócios da Random e 20% da Penguin.
| Diogo Shiraiwa/Editoria de Arte/Folhapress | ||
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