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Abrir negócio sem ter trabalhado pode atrapalhar carreira

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O administrador Tiago Dalvi, 27, não tem registros na carteira de trabalho. Depois de atividades voluntárias na empresa júnior da universidade e em uma ONG, ele decidiu abrir a própria empresa em vez de procurar emprego após se formar.

"Eu não tinha noção de gestão, tributação, emissão de nota fiscal. Fui aprender tudo na prática", conta Dalvi, fundador da Solidarium, que hoje é uma plataforma virtual para a venda de trabalhos de artesãos -a empresa já foi uma loja de shopping desses produtos, que fechou.

Apenas em 2013, sete anos após ser fundado, o negócio saiu do vermelho e só sobreviveu por causa de parcerias, patrocínios e investidores.

O caminho escolhido por Dalvi,o de fazer com que seu primeiro emprego seja o seu próprio negócio, é uma alternativa para jovens qualificados que sentem que não se enquadram em uma empresa ou por aqueles que, com baixa escolaridade, têm dificuldades de inserção no mercado.

Danilo Verpa/Folhapress
Natalie Napolitano, 25, a procura do primeiro emprego no Centro de Apoio ao Trabalhador (CAT)
Natalie Napolitano, 25, a procura do primeiro emprego no Centro de Apoio ao Trabalhador (CAT)

De acordo com dados da pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor) de 2012, 18,3% dos empreendedores iniciais no Brasil estão na faixa entre 18 e 24 anos de idade. A maior parte deles (70%) tomou a decisão de empreender por uma oportunidade de mercado, e não por necessidade (a falta de emprego, por exemplo).

Mas se trata de uma opção arriscada: sem um empreendedor qualificado, as chances de o negócio dar errado são maiores. E, se isso acontecer, sem um mínimo de bagagem corporativa, o profissional pode ter dificuldades para conseguir um emprego.

"Existe, sim, uma dificuldade para inserção [no mercado de trabalho] após a experiência de empreender", afirma Bruna Tokunaga Dias, gerente de orientação de carreira da consultoria de recursos humanos DMRH.

Na visão da consultora, o ideal é ter alguma experiência de mercado antes de abrir um negócio. Ela diz que a principal dificuldade é conseguir mostrar ao empregador o que se o profissional aprendeu ao empreender.

"A pessoa fazia tanta coisa que não sabe direito o que fazia, então tem dificuldade de se situar, de abordar sua vivência", diz.

João Baptista Brandão, professor da Fundação Getulio Vargas, diz que já viu "casos de gente que ficou com o rótulo de empresa falida". Mas acrescenta: "Empresa falida é quando eu não aprendo. Não há gente de sucesso que nunca tenha tombado".

Brandão diz que estimula jovens, mesmo sem um emprego prévio, a se aventurar no empreendedorismo -desde que o objetivo seja ganhar experiência e maturidade, e não apenas fazer sucesso. E que os valores investidos não sejam grandes.

"Você pode até perder

R$ 5.000, R$ 10 mil, mas aprender muito."

LIDAR COM GENTE

Daniel Palácio, gerente regional do Sebrae-SP, diz que a principal desvantagem de abrir um negócio sem ter sido empregado anteriormente é lidar com os funcionários.

"Ele nunca sentiu dificuldade por estar em um lugar que não permite que ele cresça ou por uma insatisfação salarial, que são coisas que acontecem entre os funcionários", diz.

Dalvi diz que essa falta de experiência de fato o atrapalhou no começo -ele conta que a rotatividade de funcionários era alta na Solidarium.
"Muita gente boa passou pela empresa e eu não consegui mantê-las por não ter experiência prévia", diz.

Palácio afirma que, no caso de jovens pouco escolarizados que veem o empreendedorismo como alternativa ao mercado de trabalho, pode haver uma ilusão de que não é preciso se qualificar.

"Eles vão precisar adquirir características de comportamento empreendedor, buscar oportunidades, se antecipar a fatos, ter persistência e correr riscos calculados", diz.

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