Cada R$ 1 no microcrédito gera R$ 4,50 para município

Crédito: Adriano Vizoni/Folhapress SAO PAULO- SP - BRASIL, 16-11-2017, 16h00: MICROCRÉDITO. Retrato de Agner Caíque, 27, que usou dinheiro do microcrédito para abrir uma loja de pão de mel. Antes, tinha dívidas e trabalhava como entregador de pizza. Agora, já reformou a loja e pensa em se expandir. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress, MERCADO) ***EXCLUSIVO FSP***
Agner Nascimento, 27, que abriu negócio com microcrédito

DANIELLE BRANT
DE SÃO PAULO

Cada real emprestado em operações de microcrédito gera R$ 4,50 para o PIB (Produto Interno Bruto) das cidades em que essas concessões são feitas, segundo cálculos encomendados pelo Santander Brasil com o objetivo de medir o impacto econômico e social da linha, voltada a pequenos empreendedores.

O levantamento, da consultoria Rever, foi realizado em cinco cidades do Nordeste nas quais o banco atua: Águas Belas e Araripina (PE), Patos (PB), Amarante do Maranhão e São Luís (MA).

O impacto médio no PIB foi medido entre 2011 e 2015. Segundo o estudo, o efeito é maior quanto menor a localidade, afirma Tiago Abate, superintendente de microcrédito do banco, que atua em 700 municípios do país.

O Santander é o principal expoente dessa linha: até hoje, já liberou mais de R$ 4,5 bilhões em microcrédito. O valor médio emprestado é de R$ 2.000. Em Amarante do Maranhão, cidade com 41 mil habitantes, segundo estimativa do IBGE, a operação de microcrédito contribuiu com R$ 6 milhões do PIB de R$ 56 milhões em 2014.

Em uma cidade maior, como Araripina -cerca de 83 mil habitantes-, o impacto se dilui: a contribuição foi de R$ 4,7 milhões para o PIB de R$ 682,6 milhões.

"Quanto menor a cidade, mais consigo gerar renda e emprego. Tem menos gente e nenhum dos concorrentes está lá. Em São Paulo, todos os bancos estão", diz Abate.

"Nas pequenas cidades, a gente consegue ajudar mais, porque eu dou dinheiro para a moça que faz bolo, que precisa comprar farinha no mercado. O dinheiro fica dentro da comunidade."

O EFEITO

O impacto também é percebido em comunidades do país. O empresário Agner Caíque Nascimento, 27, é um exemplo dessa dinâmica. Aos 22, quando estudava gastronomia, desenvolveu uma receita de pão de mel com custo menor.

Ele começou a vender o produto na Fundação Casa de Tatuapé, mas acabou tendo a ideia de montar um negócio na comunidade em que vive, em Cidade Tiradentes (SP).

Para concretizar o projeto, pegou dinheiro da linha de microcrédito do Santander. Deu tão certo que Caíque passou a trazer produtos que não havia na comunidade, como refrigerantes importados.

"Queremos pegar na mão desse cliente e ensinar a gerenciar fluxo de caixa, abrir CNPJ e crescer", diz Abate.

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