Inflação e mudanças em produtos reduziram desembolsos do BNDES

Crédito: Nacho Doce/Reuters Conselho de administração do BNDES analisará devolução de R$ 130 bilhões em 2018
Desembolsos do BNDES caíram 19% em 2017, em comparação com o ano anterior

DO RIO

A queda de 19% nos desembolsos do BNDES em 2017 foi influenciada também pela inflação e mudanças nas linhas de crédito dos bancos comerciais.

Com a inflação em queda, o juro real da chamada TJLP (taxa de juro de longo prazo) ficou mais alto, o que teria afastado o empreendedor que busca o banco.

O BNDES passará a emprestar neste ano sob a nova TLP (taxa de longo prazo), com juros semelhantes aos praticados por bancos comerciais. "Mas o crédito de longo prazo continuará tendo o BNDES como principal agente", disse o diretor de Planejamento, Crédito e Tecnologia do banco, Carlos Alexandre da Costa,.

Os desembolsos do banco encerraram 2017 em R$ 70,8 bilhões, uma queda de 19% diante do verificado em 2016. O BNDES, responsável no país por financiar principalmente projetos de longo prazo, emprestou R$ 17,4 bilhões a menos no ano passado em relação aos R$ 88,2 bilhões registrados um ano antes.

Outro motivo para a redução dos empréstimos seria a queda do repasse via Banco do Brasil da linha chamada Cartão BNDES, destinada aos pequenos empreendedores. Os bancos comerciais são parceiros do BNDES nessa linha e atuam como repassadores de recursos. Temendo aumento da inadimplência, bancos contingenciaram a oferta do produto no ano passado.

O terceiro motivo teria sido o fim da linha chamada crédito à exportação de serviços. Esse modelo, em que o banco financia negócios de empresas brasileiras no exterior, também foi alvo de muitas críticas. Um dos projetos que suscitaram polêmica foi financiamento para que a construtora Odebrecht construísse o porto de Mariel em Cuba.

O presidente do BNDES, Paulo Rabello, também tem dito que o auditoria do banco não encontrou irregularidades. Mesmo assim, a linha foi descontinuada e contribui para a queda dos empréstimos do banco.

Linhas de crédito demandadas geralmente para governos, caso de saneamento, por exemplo, tiveram piora em 2017 na esteira da menor arrecadação pública, mas o setor de infraestrutura teve alta impulsionada principalmente por projetos de energia elétrica

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