Pequenas empresas usam bitcoin para atrair consumidor

Crédito: Rafael Roncato/Folhapress Pesquisa Datafolha prefeitos 18jun2012
Professor da Fiap Leandro Rubim de Freitas, na instituição

GILMARA SANTOS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Pequenas e médias empresas começam a aceitar, como forma de marketing para os negócios, pagamento de produtos e serviços com bitcoin, a criptomoeda mais conhecida entre as mais de 1.300 disponíveis no mercado.
Dono do JS Hostel, na zona oeste de São Paulo, Daniel Rodrigues, 33, está entre os empreendedores que resolveram aceitar a criptomoeda como forma de pagamento.

A opção foi estabelecida no ano passado, mas o proprietário ainda não registrou interessados nesse método para acertar as contas. Ainda assim, diz que é uma maneira de se conectar com clientes.

"A opção do pagamento em bitcoin foi considerada interessante principalmente por termos muitos hóspedes estrangeiros", diz Rodrigues, que inaugurou o hostel há dois anos e recebe, em média, cem clientes por mês.

Crédito: Editoria de Arte/Folhapress Vai e vemMoeda virtual ainda tem valor muito instável

A Fiap (Faculdade de Informática e Administração Paulista) também aceita o pagamento das mensalidades com a criptomoeda e tem até um caixa eletrônico na unidade da Paulista para transações. "Há três anos aceitamos o pagamento com bitcoin. Contratamos uma intermediadora que faz todo o processo e repassa para a faculdade os valores em reais", afirma o diretor dos cursos a distância da instituição, Leandro Rubim de Freitas.

A aceitação de pagamentos com criptomoeda precisa de uma intermediadora, como uma operadora de cartão de crédito, que vai receber o valor e repassá-lo para a conta do credor.

É o caso da Redecoin, fundada há quatro meses por Nik Oliveira e Rony Abreu. A empresa afirma que atende cerca de 60 clientes e que já realizou 4.275 transações.

A MundiPag, que atua com pagamento on-line, também resolveu entrar no ramo para facilitar as transações com criptomoedas. De acordo com João Barcellos, CEO da empresa, uma das suas atribuições é avaliar o preço do produto do cliente e transformá-lo em bitcoin. "Como há muita volatilidade, essa avaliação tem que ser feita de forma bastante criteriosa."

CUIDADOS

Para Diogenes Justo, gerente de Big Data na Semantix, os principais problemas das criptomoedas são a liquidez e volatilidade.

"Considero que quem aceita criptomoedas como forma de pagamento deve fazer a conversão imediatamente, porque o armazenamento é um grande risco", diz. Justo afirma que, como o bitcoin foi criado para fazer transações comerciais, não é aconselhado deixá-lo guardado como investimento.

O advogado Henrique Martins, do escritório Candido Martins Advogados, reforça que este ainda não é um modelo de pagamento reconhecido pelo Banco Central. Por isso, os empreendedores devem ficar atentos aos riscos que correm ao aceitar a criptomoeda como pagamento.

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