MARINA DIAS
DANIEL CARVALHO
DE BRASÍLIA

Responsável pela articulação política do Palácio do Planalto, o ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) disse nesta terça-feira (30) que o governo está disposto a ceder ainda mais no texto da reforma da Previdência, desde que as novas ideias tenham como contrapartida o voto dos parlamentares.

Segundo o ministro, o presidente Michel Temer aceita flexibilizar o projeto que determina as mudanças nas regras de aposentadoria para aprová-lo em fevereiro, mas quer manter o que considera os dois princípios fundamentais da reforma: a idade mínima –hoje fixada em 62 anos para mulheres e 65 para homens– e a igualdade nos sistemas de regime previdenciário.

"Em nenhum momento colocamos que estávamos fechados a qualquer possibilidade de diálogo. O que nós não queremos é aquela conversa que não leva a lugar nenhum: ideias que não tragam consigo compromisso, responsabilidade de apoio, que não tragam consigo votos", afirmou Marun após participar de reunião com Temer.

"Nos sendo trazida alguma proposta que não interfira nesses princípios de regime previdenciário igual para todos os brasileiros e uma idade mínima, mesmo que existam nessa idade mínima o respeito a algumas particularidades, especialmente em relação aos professores e aos policiais, nós receberemos essa proposta com respeito", completou o ministro.

Nesta terça, Marun participa de uma reunião na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com a presença de líderes do governo e deputados aliados para discutir uma estratégia "mais organizada" na reta final para a conquista de pelo menos 308 votos necessários para aprovar a medida na Câmara. A votação está prevista para o dia 19 de fevereiro.

O Planalto tenta aprovar a reforma da Previdência desde o fim do ano passado, mas ainda não alcançou o patamar de votos mínimo necessário para que a Câmara dê o aval à medida, considerada bastante impopular para ser apreciada às vésperas das eleições.

DESIDRATADA

O ministro disse ainda que está otimista quanto à votação porque o governo encomendou uma pesquisa interna que, segundo ele, mostra que 44% das pessoas reprovam a reforma,mas 63% da população aprova a existência de um regime único de Previdência –que tem sido o principal discurso de Temer para tentar vencer as resistências à proposta.

"Nossa estratégia está sendo extremamente exitosa", disse Marun, negando que a medida tenha sido desidratada.

No entanto, a versão original da reforma, enviada no fim de 2016 ao Congresso, trazia mudanças duras. O texto já foi alterado duas vezes e a expectativa de economia com a aprovação do projeto passou de cerca de R$ 800 bilhões em dez anos para aproximadamente R$ 500 bilhões no mesmo período, considerando as alterações no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Os cálculos são do Ministério da Fazenda.

Entre os pontos alterados para tentar conquistar apoio dos deputados estão a redução da idade mínima para mulheres (de 65 anos para 62) e a diminuição do tempo de contribuição de 25 para 15 anos para os trabalhadores da iniciativa privada.

Também foi reduzido de 49 para 40 anos o tempo necessário para ter direito ao valor máximo do benefício e foram retiradas as mudanças para os trabalhadores rurais de economia familiar e para o benefício assistencial pago a idosos pobres, o BPC (Benefício de Prestação Continuada).

MAIS DO MESMO

Líderes de alguns partidos da base aliada reuniram-se com Marun e com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), no início da noite.

Eles combinaram de ouvir suas bancadas e, mais uma vez, se reunir para fazer um balanço, na próxima quarta-feira (7) para contar votos.

Vice-líder do governo na Câmara, o deputado Beto Mansur (PRB-SP) defendeu que a proposta vá à votação na semana de 19 de fevereiro para ganhar ou perder.

Maia, no entanto, disse à Folha no início da semana que não pautará a reforma se não tiver garantia de votos para aprová-la. Cabe ao presidente da Câmara decidir quando uma matéria vai a plenário.

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