MARINA DIAS
DE BRASÍLIA

Responsável pela articulação política do Palácio do Planalto, o ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) disse nesta terça-feira (30) que o governo está disposto a ceder ainda mais no texto da reforma da Previdência, desde que as novas ideias tenham como contrapartida o voto dos parlamentares.

O ministro disse ainda que está otimista quanto à votação porque o governo encomendou uma pesquisa que, segundo ele, mostra que 44% das pessoas reprovam a reforma e 63% aprova a existência de um regime único de Previdência -que tem sido o principal discurso do presidente Michel Temer para tentar vencer as resistências à proposta.

A prévia da pesquisa foi divulgada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, em uma rede social. Na postagem, Moreira Franco comemorou o fato de, pela primeira vez, um levantamento nacional mostrar que os opositores à reforma são menos da metade da população.

Segundo Marun, Temer aceita flexibilizar o projeto que determina as mudanças nas regras de aposentadoria para aprová-lo em fevereiro.

O governo já cedeu em vários pontos. Reduziu a idade mínima para mulheres (de 65 anos para 62) e o tempo de contribuição de 25 para 15 anos para os trabalhadores da iniciativa privada. Também cortou de 49 para 40 anos o tempo necessário para ter direito ao valor máximo do benefício e retirou as mudanças para os trabalhadores rurais de economia familiar e para o benefício assistencial pago a idosos pobres, o BPC (Benefício de Prestação Continuada).

Agora, o presidente faz questão de manter o que considera os dois pilares da reforma: idade mínima -hoje fixada em 62 anos para mulheres e 65 para homens- e igualdade nos sistemas de regime previdenciário. "Em nenhum momento colocamos que estávamos fechados a qualquer possibilidade de diálogo. O que nós não queremos é aquela conversa que não leva a lugar nenhum: ideias que não tragam compromisso, que não tragam votos", disse Marun após uma reunião com Temer.

Marun também esteve em um encontro na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com a presença de líderes do governo e deputados aliados para discutir uma estratégia "mais organizada" na reta final para a conquista de pelo menos 308 votos necessários para aprovar a medida na Câmara. A votação está prevista para o dia 20 de janeiro.

PROTESTO

Com carros alegóricos, bateria e até passistas, movimentos sindicais organizaram, nesta terça, um protesto carnavalesco contra a reforma da Previdência.

Cerca de 2 000 manifestante atravessaram 1,6 km entre a praça Oswaldo Cruz e o vão livre do Masp, na avenida Paulista, entoando o samba enredo "Quem lutou a vida inteira exige respeito". O cortejo foi organizado em alas temáticas, como custo de vida, saúde e enterro da Previdência. A Polícia Militar não divulgou estimativas sobre o número de participantes.

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