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Banco Central diz que riscos para a inflação continuam elevados
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EDUARDO CUCOLO
DE BRASÍLIA
O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) afirmou que, a despeito da reversão de parte dos estímulos econômicos introduzidos durante a crise financeira de 2008 e 2009, permanecem elevados os riscos para a inflação.
A afirmação faz parte da ata, divulgada nesta quinta-feira, da última reunião do Copom, quando os juros subiram de 9,50% para 10,25% ao ano.
Para o BC, contrapõem-se a esses fatores, além da retirada desses estímulos, os dois aumentos já anunciados das taxas de juros neste ano e o agravamento da crise fiscal em diversos países europeus, que introduziu "certa dose de cautela" nesse cenário.
As projeções de inflação do Copom para 2010 se elevaram em relação à reunião de abril e se mantiveram "sensivelmente" acima do centro da meta de 4,5%, em todos os cenários.
Para 2010, a projeção se reduziu no cenário que considera a manutenção dos juros no patamar atual, mas continua "sensivelmente" acima da meta. No cenário que considera o aumento dos juros previsto pelo mercado, a projeção se elevou e está acima da meta.
Cenário internacional
O Copom avalia que o cenário internacional pode se deteriorar, o que vai depender do quadro de desconfiança do mercado em relação à solvência de algumas economias européias. O BC diz, no entanto, "não ser esse o cenário central com que trabalha."
"Até o momento, a possibilidade de materialização de um cenário de estresse parece limitada, mas, de qualquer maneira, houve certa moderação na demanda por ativos de risco nos mercados financeiros internacionais."
Ainda no cenário externo, o BC destaca que, em linha com aversão ao risco maior e liquidez mais escassa, os preços de certas commodities e de ativos brasileiros recuaram.
Economia doméstica
Para a instituição, o risco para a consolidação de um cenário inflacionário benigno "se circunscreve essencialmente" à economia interna, devido à expansão da demanda doméstica com o "virtual esgotamento da margem de ociosidade" na produção.
Esse comportamento pode ser visto no crescimento de 9% da economia no primeiro trimestre de 2010, anunciado na semana passada pelo IBGE.
O BC diz que a evidência da redução de espaço entre oferta e demanda vem da aceleração dos ganhos reais de salários no passado recente em alguns segmentos e de maiores pressões de preços ao produtor.
"A demanda doméstica se apresenta robusta, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão do crédito."
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