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Petrobras estuda acelerar produção na bacia de Campos para fazer caixa
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SAMANTHA LIMA
ENVIADA ESPECIAL A MATA DE SÃO JOÃO (BA)
A Petrobras deverá acelerar o desenvolvimento das novas reservas na bacia de Campos com o objetivo de fazer caixa para ser usado na exploração da bacia de Santos --onde estão Tupi, Iara, Guará e outras áreas consideradas as mais promissoras do pré-sal brasileiro.
É o que disse o técnico da estatal Carlos Henrique Dumortout Castro, consultor de negócios da área de relações com investidores da empresa, depois de participar de evento do fundo de pensão Previ, na Bahia.
"Nós temos a facilidade de produção na bacia de Campos. A produção pode ser acelerada para fazer caixa, para que se invista no pré-sal. Seria a maneira mais rápida", disse Dumortout.
A descoberta mais recente na bacia de Campos ocorreu na semana passada, em Marlim, no pré-sal, em um prospecto identificado como Brava. É a primeira perfuração no campo de Marlim que atingiu o pré-sal, a quase 5 mil metros de profundidade.
Outros reservatórios também na bacia de Campos foram encontrados recentemente. Essas novas áreas poderiam entrar em operação, segundo ele, "em menos de dois anos".
A bacia de Campos vem sendo explorada pela Petrobras desde os anos 70. É de lá que vem quase todo o petróleo produzido no Brasil. A maior parte das reservas está no pós-sal, ou seja, nas camadas menos profundas.
A produção no pré-sal de Campos, hoje, se limita ao campo de Jubarte, localizado no parque das Baleias, onde se estima a existência de reservas de 1,2 bilhão de barris.
Já a de Santos, embora já seja alvo de estudos sismológicos há décadas atrás, só começou a ser perfurada nesta década.
As reservas que enchem os olhos do governo estão na bacia de Santos, entre os litorais fluminense e paulista, mas técnicos afirmam que o pré-sal vai do Espírito Santo até Santa Catarina.
Como facilidade, pode-se entender toda a estrutura logística e operacional já montada e usada ao longo de quase 40 anos. As reservas da bacia de Campos estão entre 100 e 200 quilômetros da Costa.
Na bacia de Santos, existe apenas uma área em produção experimental. Trata-se de Tupi, que fica a quase 300 quilômetros da Costa.
Novas capitalizações
Castro disse acreditar que, para sustentar os investimentos previstos pela Petrobras principalmente no pré-sal, outros processos de emissão de novas ações (capitalização) devam ser realizados nos próximos anos, além do que a empresa prepara para realizar ainda este ano, quando o projeto for sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ele lembra que o plano da empresa é investir US$ 220 bilhões até 2014. Parte disso virá do caixa da empresa e outra parte, de capitalização.
"No futuro deve haver outras capitalizações. Não precisa captar todo o necessário de uma vez só. Não precisa exagerar porque daqui a três, quatro anos, você pode dizer, olha, estamos pagando um monte de dinheiro para vocês em dividendos, o lucro está sensacional... Mas aí estaremos num estágio como estamos hoje e vamos ter que capitalizar a companhia de novo. É um processo natural. Empresas no Brasil e no mundo fazem isso."
O projeto de capitalização, que prevê a emissão de novas ações pela Petrobras, já foi aprovado no Congresso e aguarda sanção presidencial. A Petrobras espera fazer o processo para levantar recursos para seu plano de investimentos.
A capitalização compreende, ainda, um processo de transferência de reservas estimadas em 5 bilhões de barris de petróleo para a Petrobras por parte da União, seu controlador. Esta é, na prática, a contrapartida da União para receber a parte que lhe cabe nas novas ações, na proporção da participação que já detém.
Todos os outros acionistas terão direito a comprar as novas ações na proporção da quantidade de ações que já detêm. Quem não quiser acompanhar a oferta permanecerá com o mesmo número de ações mas, como o capital da empresa aumentará, sua participação será diluída --e, na prática, receberá menos dividendos no curto prazo.
As ações não compradas pelos acionistas serão oferecidas aos demais acionistas - e é essa brecha que o governo espera aproveitar para aumentar sua participação no capital da Petrobras.
Hoje, a União tem 32,13% do capital total da Petrobras (e é controladora com 55.56% das ações ordinárias). Outros acionistas relevantes são BNDES, com 7,66% do capital total; a Previ, com 3,17%; e o fundo americano Blackrock, com outros 2,6%. O resto está nas mãos do mercado.
Previ
O presidente da Previ, Ricardo Flores, afirmou que o fundo de pensão ainda não decidiu se vai manter sua participação na Petrobras ou aproveitará para aumentar sua participação.
Seu antecessor no cargo até 14 dias atrás, Sérgio Rosa, chegou a dizer, no início do ano, que estudava aumentar a participação no capital da petroleira.
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