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Desafio das empresas é unir relatórios
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ANDRÉ PALHANO
ENVIADO ESPECIAL A AMSTERDÃ
Integrar os relatórios de sustentabilidade com os relatórios anuais de resultados até o ano de 2020. Esse foi o desafio lançado ao mundo corporativo no final do mês passado pelo GRI (Global Reporting Initiative), entidade responsável pelo principal padrão de indicadores de sustentabilidade nas organizações, durante sua conferência encerrada no final do mês passado em Amsterdã, na Holanda.
É um desafio ambicioso. Embora cada vez mais parecidos no formato, com séries históricas e metas objetivas e comparáveis entre si, os relatórios ainda pertencem a mundos bastante diferentes.
Enquanto os de resultados prestam contas a um público específico (basicamente acionistas, investidores e analistas do mercado), os de sustentabilidade destacam impactos e ações socioambientais da empresa.
Funciona, assim, como uma prestação de contas mais geral à sociedade.
Para o GRI, o fato de as variáveis socioambientais nas empresas serem ativos cada vez mais valorizados -e tangíveis- no mercado deve acelerar o processo de integração. Aos recursos econômicos e financeiros, somam-se agora os recursos socioambientais.
"Publicar e detalhar esse tipo de capital social e ambiental é uma tendência irreversível, seja por pressão do mercado seja por força da regulação", diz o presidente do GRI, Ernst Ligteringen.
Mais do que integrar relatórios, a proposta do GRI tem como pano de fundo o que para muitos é hoje o maior desafio da sustentabilidade corporativa: conquistar a simpatia do mercado financeiro, onde ainda é tratada, salvo raros investidores institucionais e poucos movimentos setoriais, como um assunto secundário.
Maturidade
"Trazer o mercado financeiro para dentro desse novo entendimento é o próximo grande passo da sustentabilidade. E o fato de estarmos discutindo relatórios integrados, assunto que há cinco ou seis anos não teria qualquer eco, mostra que há maturidade suficiente para isso nas empresas", diz Sônia Favaretto, diretora de sustentabilidade da BM&FBovespa. Quem defende essa aproximação ganhou argumentos importantes nos últimos meses.
Um deles foi a decisão tomada no final de fevereiro pela SEC (Securities Exchange Comission), órgão regulador do mercado norte-americano, de recomendar às empresas listadas que indicassem nos relatórios anuais como estão lidando com as questões das mudanças climáticas. Não somente do ponto de vista dos riscos associados, mas também das oportunidades.
Cobrança
Em linha com a preocupação crescente de bancos e seguradoras, a lista de signatários dos Princípios para o Investimento Responsável, que define princípios socioambientalmente responsáveis na alocação de recursos, também vem engordando.
E conta agora com a participação das Bolsas de Valores, que passaram a cobrar das empresas listadas mais compromissos com as questões de sustentabilidade.
Some-se ainda as discussões sobre aproximação das normas contábeis ao padrão GRI, como a realizada recentemente no Brasil pela Fipecafi e pela FEA-USP, que vêm consolidando a percepção de que a porta de entrada do assunto no mercado será sobretudo a da governança corporativa.
Nenhum evento foi mais dramático e ilustrativo, no entanto, do que o acidente com a plataforma da British Petroleum (BP) no golfo do México, que fez despencar os preços das ações da companhia como em nenhum outro momento de sua história.
E que gerou uma cena curiosa: ao lado de ambientalistas irritados, juntaram-se acionistas e investidores descontentes com o grau de transparência envolvendo a exploração do óleo em águas profundas.
Os primeiros, movidos pelos incalculáveis prejuízos ambientais; os segundos, pelos igualmente incalculáveis prejuízos financeiros.
O jornalista ANDRÉ PALHANO viajou a convite da Petrobras.
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