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05/07/2010 - 09h15

Ação da Petrobras é melhor opção para longo prazo

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MARIANA SALLOWICZ
DE SÃO PAULO

Investir em ações da Petrobras é mais interessante para quem puder aplicar a longo prazo. Esse é o único consenso entre analistas sobre a capitalização da empresa, que deve ocorrer em setembro e pretende arrecadar R$ 100 bilhões em uma das maiores ofertas já realizadas no país.

O ambicioso plano de capitalização da Petrobras ainda está cercado de incertezas, como o valor do barril que a companhia receberá em reservas da União e a data exata do processo.

Para analistas, os investidores devem aguardar a definição dos detalhes da capitalização antes de tomarem decisões sobre investimentos na companhia -que poderão ser feitos no lançamento da operação ou até antes.

"Enquanto a capitalização não sair, a tendência é que os papéis fiquem muito voláteis e há o risco de ficarem mais "fracos'", avalia Eduardo Camargo Oliveira, operador da Um Investimentos.

Somente neste ano (até quinta-feira da semana passada), as ações ordinárias da estatal caíram 26,56%.

No mês passado, em meio à notícia de que a capitalização seria adiada para setembro, a queda foi de 9,28%.

A mudança na data foi justificada pela necessidade de esperar a avaliação da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) sobre o preço que a empresa pagará pelos 5 bilhões de barris em reservas que receberá da União, na chamada cessão onerosa.

Ainda assim, existe o risco de que, mesmo com o adiamento da operação financeira para setembro, a data não esteja totalmente garantida.

Por isso, investir na Petrobras é um negócio arriscado a curto prazo. "A capitalização ainda está muito conturbada. O formato, que não foi inteiramente definido, deixa o investidor inseguro", afirma Mônica Araújo, estrategista da Ativa Corretora.

"Porém, há a expectativa de que no médio e longo prazos a empresa estará mais bem posicionada e com perspectivas de continuação do crescimento da demanda por petróleo", completa.

Em dez anos, os papéis preferenciais da empresa valorizaram 617%. "A uma taxa anualizada, o rendimento foi de 21,78%, considerando que houve anos em que os ganhos foram maiores e outros em que foram menores", diz Oliveira. No período, investimentos atrelados à Selic valorizaram 318%.

Riscos

Além das incertezas em relação aos detalhes da capitalização, há ainda o temor de que a crise europeia dificulte os planos da empresa, pois poderá reduzir a disponibilidade de crédito externo para a economia brasileira.

Os analistas também avaliam o risco de a União elevar sua participação na empresa, que hoje é de 32,1%.

"Com o governo tendo mais poder sobre a Petrobras, a liquidez do papel poderá ser reduzida", afirma Clodoir Gabriel Vieira, analista da Souza Barros.

A União demonstrou que pretende reforçar a presença na companhia, o que poderá ocorrer caso acionistas não participem da capitalização.

Por outro lado, especialistas destacam as perspectivas positivas para os próximos anos. "A Petrobras tem um diferencial em relação às demais, o de que será outra empresa daqui a bem pouco tempo com o aumento de reservas. Isso também determina o valor dela", diz a estrategista da Ativa Corretora.

Além disso, a estatal tem uma posição privilegiada, por estar virtualmente sem concorrência na exploração de uma das últimas reservas de petróleo do mundo.

O operador da Um Investimentos acrescenta que as descobertas feitas no pré-sal sinalizam cenário positivo.

"Os campos avaliados têm bom potencial e a tendência é que se descubram novos, o que aponta para uma perspectiva positiva para a Petrobras e para os acionistas."

Entenda a capitalização

O que é
A capitalização é o aporte de recursos de acionistas ou de investidores numa empresa.

Por que a Petrobras vai fazer uma capitalização?
Para pagar por até 5 bilhões de barris em reservas que a união lhe cederá e levantar dinheiro para novos investimentos.

Quem vai compras as ações novas?
Cada acionista terá direito de comprar tantas ações quantas forem possíveis dentro da participação que já tem.

A União, por exemplo, tem 32,1% do capital da Petrobras. Logo, poderá e já disse que vai- comprar 32,1% das ações ofertadas.

O que ocorrerá se um acionista minoritário não comprar as ações que tem direito?
Continuará com as mesmas ações que já tinha, mas sua participação na empresa ficará menor. Dessa forma, receberá menos dividendos no fim do ano.

Investidores que não são acionistas poderão participar?
O que não for comprado pelos acionistas atuais será oferecido ao mercado. Para analistas, é provável que isso ocorra porque será uma operação grande.

De quanto será a operação?
A operação ainda depende de avaliação dos preços das reservas e de quantos barris serão transferidos à Petrobras.

A capitalização da Petrobras permitirá uso do FGTS?
Sim, mas apenas para trabalhadores que já têm ações da estatal adquiridas com recursos do fundo, em 2000. Neste caso, poderão usar até 30% do FGTS na compra (subscrição) de novos papéis.

Quando
A empresa havia anunciado a previsão de finalizar o projeto de capitalização em junho. Porém, o governo convenceu a empresa a postergar a operação para setembro.

Editoria de Arte/Folhapress
 

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